Fernando, PT e Wagner        

Esse Fernando Gomes não é fácil. Esperou o resultado final do julgamento no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para dizer que não tem compromisso com o PT. Cozinhou o PT em banho-maria.Usou, usou, e agora descartou. E para mostrar sua independência, ainda disse, com todas as letras maiúsculas, que não vai votar em Jaques Wagner para … Leia Mais


O PT e o centrão da Bahia

A ordem no PR é não fechar as portas para ACM Neto, já que a chance de integrar a chapa majoritária governista é cada vez mais remota. João Leão, do PP, continua como vive. Uma vaga do senado é de Jaques Wagner (PT). A outra é do PSD do senador Otto Alencar. O ponto comum … Leia Mais


Salvar as filantrópicas

Revendo a rica história do nosso Brasil encontramos que os primeiros hospitais erguidos no país foram os filantrópicos, representados, principalmente, pelas Santas Casas de Misericórdia que se espalharam pela jovem nação,copiando o que existia em Portugal desde o final do século XV. Já escrevemos  bastante sobre isso, ao falar da nossa centenária Santa Casa de … Leia Mais


MÊS DAS CONFUSÕES

Chegamos ao mês de agosto, mês que, para alguns, é o mês do desgosto”, principalmente para o conturbado mundo da política. Com efeito, dois importantes acontecimentos na história política do Brasil ocorreram nesse mês: o primeiro deles foi o suicídio de Getúlio Vargas, ocorrido a 24 de agosto de 1954 e, o segundo, a inesperada … Leia Mais


PCdoB, a denúncia e a reeleição de Rui

* Marco Wense O PCdoB tem razão de sobra para ficar magoado com o governador Rui Costa no episódio envolvendo a defenestração de Davidson Magalhães na votação da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB). Davidson, além de ser o comandante estadual da legenda, sempre se mostrou parceiro do chefe do Executivo, até mesmo no … Leia Mais


Itabuna, ontem e hoje

 

Na data em que festejamos a elevação do então Arraial de Tabocas à condição de município e cidade de Itabuna, ocorrido a 28 de julho de 1910, vamos fazer um pequeno passeio pelo passado, procurando entender as transformações vividas pela cidade nesses 107 anos, avivando a memória dos mais velhos e mostrando, aos mais jovens, o que foi e o que é a nossa Itabuna. Vou me reportar aos últimos 70 anos, começando na década de quarenta até os dias presentes, utilizando, principalmente, dos fatos guardados na memória e do que foi publicado pelos nossos historiadores Manoel Bonfim Fogueira, Oscar Ribeiro Gonçalves, José Dantas de Andrade, Adelino Kfoury Silveira e outros que têm se dedicado a esmiuçar a história e estórias deste pedaço do território baiano.

Hoje nos deparamos com quase 100 bairros quando, na década de quarenta ,podíamos contar nos dedos e citar o centro da cidade e os bairros de Taboquinhas, Pontalzinho, Lava-Pés, Berilo, Mangabinha, Burundanga, Bananeiras, Abissínia, Pau Caído, Alto Maron; a cidade crescia e já se notava que novos bairros estavam nascendo, como Fátima, Banco Raso, Vila Zara, Fuminho e o crescimento se fazia em direção às estradas para Pirangi, Ilhéus, Palestina e, às margens direita do Cachoeira local onde, Félix Severino do Amor Divino ergueu o primeiro casebre do futuro povoado, hoje a pujante Itabuna.

Apenas o centro da cidade tinha as ruas calçadas a paralelepípedo e recebia água encanada; essas benesses do progresso demoraram para chegar aos bairros. A energia elétrica era fornecida por dois possantes motores a diesel, localizados na usina do Cajueiro,que eram desligados por volta das 22 horas e religados na manhã do dia seguinte; os moradores usavam os “fifós”, candeeiros e, os mais abastados, os potentes Aladim. No final da década de 50 chegou a energia do Funil e o fornecimento foi regularizado. Fato interessante e muito lamentado ocorreu em plena copa do mundo de 1954, quando houve um incêndio na Usina do Cajueiro e ficamos mais de um mês sem energia elétrica; poucas residências dispunham de geladeira.

Sem dúvida alguma o porto de Ilhéus era o principal local de entrada de mercadorias e novidades vindas de outros estados, principalmente do sul e sudeste e, também, do exterior; de Ilhéus para cá, utilizava-se o transporte rodoviário e o ferroviário; é bom lembrar que a estrada de ferro começou a funcionar no ano de 1913 e a estrada de rodagem inaugurada em 1928.

Até os anos cinquenta, o município de Itabuna era grande e ia até Itapuí, hoje Itororó, e as marinetes da Companhia Viação Sul Baiano (SULBA) ligavam a cidade a alguns de seus distritos, principalmente os mais prósperos como Macuco (Buerarema), Itaúna (Itapé), Palestina (Ibicaraí). Também havia linhas para Ilhéus e outras localidades da região.

Ouviam-se as notícias do Brasil e do mundo pelo rádio e as ondas mais sintonizadas eram de rádios do Rio de Janeiro, então capital da república, secundados por rádios de Salvador e de São Paulo; na região cacaueira, não se perdia o Repórter Esso, na voz possante de Heron Domingues, principalmente o do horário das 20:25 hs. quando era noticiado o preço do cacau na bolsa de Nova York; preço alto do cacau, festas e sorrisos; preço baixo, desânimo e tristeza; os cacauais eram atacados pelo “mela” mas, a “vassoura-de-bruxa” ainda não havia sido trazida para cá. O rádio teve um papel importantíssimo na difusão das coisas do Brasil e, para os mais novos, que não alcançaram essa época de ouro, fica a explicação da grande torcida que, até hoje, os clubes de futebol carioca desfrutam; nos meus doze anos, ouvido colado ao rádio, comecei a sofrer com o meu Vasco da Gama,principalmente quando jogava com um certo time da Gávea; ainda tenho a impressão de ouvir a narração de Jorge Cury e Antonio Cordeiro.

Nos anos cinquenta, a organização dos Diários e Emissoras Associadas, do paraibano Assis Chateaubriand, dominava o país e tinha prestígio semelhante ao que tem, hoje, a Rede Globo ou, talvez mais; a sua mais importante publicação era a revista semanal o Cruzeiro, com os melhores articulistas do país e o impagável ‘Amigo da Onça”; os leitores aguardavam, ansiosos, a piada e as artimanhas dessa criação do artista Péricles.

A década de cinquenta foi uma década de ouro, para o Brasil e para Itabuna; duas  novas pontes foram construídas sobre o Cachoeira; ampliou-se o leque de educação na cidade; novos cinemas foram inaugurados e, também, a primeira estação de rádio, a Radio Club de Itabuna; foi reativado o velho estádio da LIDA, recomeçando o campeonato de futebol local; clubes do Rio, Salvador e Recife vieram se apresentar em nossa cidade; o primeiro deles foi o Botafogo, trazendo Nilton Santos, Garrincha, Quarentinha, Pampolini e outros bambas; a seleção de Itabuna ganhou um importante torneio intermunicipal,sangrando-se campeão nos gramados da Fonte Nova.

A juventude esbanjava alegria e vigor nas festas do Grapiúna e do Itabuna, principalmente no Carnaval; festas de estudantes, com quermesses, paquera e várias brincadeiras; às tardes e nas noites cálidas, o “footing” no jardim da Praça Olinto Leone, a conhecida praça da Prefeitura, com uma amurada ao lado do rio, onde muitos namoros começaram; isso quando não ocorria alguma vaca, ou boi, desgarrar-se do grupo, que se dirigia ao matadouro local, onde hoje situa-se o IMEAM, causando um tremendo alvoroço; correria para todos os lados e, certa vez, uma rês desgarrada chegou a entrar no pátio da Ação Fraternal; lojas eram fechadas até que um garboso vaqueiro dominava o animal e o trazia de volta ao redil.

Muito teria a contar sobre esses anos de ouro em que a violência beirava o zero; o tóxico era” coisa de se ouvir falar”; o núcleo familiar ainda não sofrera tantas dilacerações e o romantismo imperava; os jovens namoravam; alguns noivavam e casavam; respeitava-se pai e mãe e os políticos não eram tão corruptos; claro que não tínhamos as facilidades de hoje; a televisão dava os primeiros passos e não se imaginava que apareceriam a internet e o celular. Esses tempos eram melhores que os de hoje? Não sei, deixo a resposta com o (a) prezado (a) leitor (a).

E assim chegamos aos 107 anos do velho Arraial de Tabocas, hoje a nossa Itabuna, cidade das mais importantes do nordeste brasileiro; a vassoura-de-bruxa” expulsou muita gente da zona rural para a urbana e, a nossa Itabuna, também experimentou esse aumento inesperado e não planejado de sua população; bairros surgiram e, com eles, problemas de vários tamanhos. Fica, para os governantes, a argúcia e a vontade de resolver as demandas surgidas dessa inversão populacional. Mas, a história de qualquer comunidade, é escrita por todos que aí vivem; cada um coloca o seu tijolinho e vai erguendo esse edifício maravilhoso e complexo que se chama cidade. Parabéns Itabuna.

João Otavio Macedo.


Nem surpresa, nem espanto

* Marco Wense

Quem vai ter mais problemas para compor a chapa que vai disputar o comando doPalácio de Ondina nas eleições de 2018, o governador Rui Costa (PT) ou o prefeito ACM Neto (DEM)?

A chapa majoritária tem quatro vagas: governador, o vice e duas para o senado da República. Em relação ao Parlamento, são vários caciques para poucas ocas.

Se ACM Neto tem o PMDB dos irmãos Vieira Lima, Rui Costa vice o dilema do PSB da senadora Lídice da Mata, cada vez mais longe de disputar sua reeleição pela base aliada.

De olho no bom tempo de televisão do PMDB, o alcaide soteropolitano quer o apoio do PMDB sem a companhia do deputado federal Lúcio Vieira Lima e, principalmente, do mano Geddel, investigado no âmbito da Operação Lava Jato.

O governador sabe da importância do PSD do senador Otto Alencar para a conquista do seu segundo mandato. Não vai ceder espaços para os socialistas em detrimento da força política do, digamos, “otismo”.

Sentindo o cheiro da fritura, pensando na sobrevivência política, o PSB procura se revigorar convidando lideranças políticas para a legenda, como o demista Zé Ronaldo, prefeito de Feira de Santana.

Zé Ronaldo é também postulante a uma vaga para disputar o Senado, mas tem a concorrência do PSDB, que tem Jutahy Júnior como postulante, e do PMDB.

Rui Costa

E qual seria a melhor solução para Rui Costa e ACM Neto, a que evitaria um desgaste maior e uma acomodação menos traumática?

O melhor caminho para a oposição é uma chapa com ACM Neto governador, o vice do PMDB, com a escolha recaindo sobre algum deputado estadual, e as duas vagas para o Senado com José Ronaldo e Jutahy Júnior.

ACM Neto é o óbvio ululante, um único oposicionista com viabilidade eleitoral para enfrentar o governador. É bom lembrar que o “já ganhou” dos petistas não é mais propagado.

O PMDB na vice evitaria a rebeldia dos Vieira Lima, garantindo assim o indispensável tempo no horário eleitoral. Aliás, é só o que a legenda tem para oferecer. O PSDB ficaria satisfeito e o DEM também.

Pelo lado do governismo, o vice de Rui continuaria João Leão, sob pena de criar um atrito com o PP. As duas vagas para o Parlamento com Jaques Wagner (PT) e Ângelo Coronel pelo PSD de Otto.

E o PCdoB, PDT e os outros partidos que compõem a base aliada do governo Rui Costa? Quando o assunto é a composição da chapa majoritária, comunistas, socialistas e pedetistas são como patinhos feios.

Toda essa análise, no entanto, pode ser desmoronada lá na frente. A política costuma surpreender e causar sobressaltos e fatos antes tidos como “imexíveis”.

Com efeito, o que pode provocar uma mudança em toda essa modesta opinião da Coluna Wense, são os resultados das pesquisas de intenção de votos.

Não é só uma parcela considerável do eleitorado que vai atrás do candidato que se encontra na dianteira das consultas. Muitos políticos também agem dessa maneira, são os oportunistas de plantão.

Concluo dizendo que nada está definido, que Rui Costa pode ser reeleito como ser derrotado. Reeleito pela opinião de que faz um bom governo e derrotado pela incontida vontade de mudar, assentada no “PT Nunca Mais”.

A disputa Rui Costa versus ACM Neto, antes tida como favas contadas pelos aliados do governador, vai ser acirrada. Qualquer desfecho não será surpresa e nem espanto.

PS – Interessados na ajuda financeira do governo, alguns chefes de Executivo, principalmente de partidos de oposição, andam dizendo que vai apoiar a reeleição de Rui Costa. “A traição é inerente ao mundo político”, dizia o saudoso e inesquecível jornalista Eduardo Anunciação.


A derrocada do PSB

Miguel Arraes (foto Internet)

*Marco Wense

Toda agremiação partidária, independente do campo ideológico, tem sua banda podre. Aí não cabe a máxima de que toda regra tem exceção.

Quando falo de ideologia, o faço apenas por uma questão meramente didática, para uma melhor compreensão do leitor.

Essa especificação de direita, esquerda ou qualquer outra, perdeu consistência. Não se faz mais política com posições firmes e coerentes, assentadas em princípios.

O que se observa é uma busca desenfreada – e sem escrúpulos – para atender interesses pessoais ou de grupos. O fim justifica os meios.

Não é só o mofadosistema político que está putrefato. Os homens públicos, “dignos” representantes do povo, deixando de fora as poucas e honrosas exceções, perderam a vergonha.

É triste, muito triste, só para citar um exemplo mais recente, ver o PSB, que é o Partido Socialista Brasileiro, do saudoso Miguel Arraes, totalmente desfigurado.

O PSB, que tem uma brilhante história na defesa da inclusão social, sempre do lado dos mais desprotegidos, descamba para o fisiologismo e o toma-lá-dá-cá.

O presidente Michel Temer, de olho no fortalecimento de Rodrigo Maia, seu substituto imediato, se encontra com a deputada Tereza Cristina, líder do PSB, para evitar que parlamentares insatisfeitos com o partido se filiem ao DEM. Quer todos no PMDB.

Até aí tudo dentro do jogo político, mesmo não sendo uma tarefa para um presidente da República, que deveria estar preocupado com outros problemas.

A líder socialista até que poderia aproveitar a conversa com o chefe do Executivo para cobrar melhoras na saúde, na educação, enfim, em vários setores da administração ou, então, protestar sobre alguns pontos da reforma Previdenciária.

Que nada. A preocupação da representante do PSB na Câmara dos Deputados era com a bancada ruralista. Foi reclamar da Receita Federal, que tem se negado a mudar entendimentos regulatórios que beneficiariam os ruralistas.

Poucas horas depois da audiência com o mandatário-mor da República, Cristina se reuniu com o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid.

O PSB de hoje nega o PSB de ontem. A legenda caminha a passos largos para não ter o amanhã.

O cinismo e os partidozinhos

O cinismo maior do momento político, marcado por um lamaçal sem precedentes na história da República, fica por conta de Temer e Maia.

Nunca vi tanta falsidade entre dois políticos. Nas declarações públicas são como dois amiguinhos de infância. Nos bastidores, um querendo destruir o outro.

Eles se conhecem. Sabem que são parecidos quando o fim é a conquista do poder, não importando os meios. A tapeação é recíproca.

Não adiantou Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, mostrar a Michel Temer mensagem da mãe cobrando lealdade ao chefe do Executivo.

Temer não entrou no jogo emocional de Maia, apelando para a própria genitora para convencê-lo de que é um parceiro confiável.

Bastou menos de 24 horas para que Temer entrasse em campo para evitar o fortalecimento de Maia com a ida de parlamentares do PSB para o DEM.

Deputados insatisfeitos com o partido que tem a pombinha como símbolo estão procurando uma nova agremiação partidária.

De olho na sua candidatura ao Palácio de Ondina, o prefeito ACM Neto ajuda Maia na difícil missão de trazer os “socialistas” para o staff demista.

Temer tem uma arma fulminante contra Maia, a mesma que usou para sair vitorioso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ): a caneta para liberar o “faz-me-rir”.

Em priscas eras, como diria o saudoso jornalista Eduardo Anunciação, a saída de um parlamentar do PSB para um partido de outro campo ideológico, significava o fim da carreira política.

Hoje, a debandada ocorre sem nenhuma cerimônia e sem qualquer tipo de constrangimento. O óbvio ululante é que os partidos perderam o respeito. São partidozinhos.

Aliança inusitada       

Em conversas reservadas, algumas lideranças petistas têm dito que essa aproximação do PCdoB com o DEM é “inaceitável”.

Não se sabe ainda a posição da senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, em relação a essa inesperada e estranha composição.

O ex-ministro Aldo Rebelo, figura de destaque no staff comunista, é o responsável pelo namoro entre a legenda e o demista Rodrigo Maia, comandante-mor da Câmara dos Deputados.

Os petistas lembram que Maia foi um dos responsáveis pelo impeachment de Dilma Rousseff e que o DEM teve um papel importante no “golpe”.

A inusitada aliança já conta com o aval e o entusiasmo da deputada federal Luciana Santos (PE), presidente nacional do PCdoB.

Vale lembrar que Rodrigo Maia é o substituto imediato de Michel Temer e fortíssimo candidato em uma eventual eleição indireta.

O PCdoB, portanto, se distancia do PT e passa a ser conivente com as pretensões de Maia: ser presidente da República sem o voto popular.

Que venha outra        

Engana-se quem pensa que a maior torcida por uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer seja dos seus adversários.

Ledo engano. Quem sonha todos os dias com uma nova acusação contra o peemedebista são seus defensores na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

A preocupação em defender um chefe de Executivo com uma estrondosa impopularidade é café pequeno diante do toma-lá-dá-dá.

A CCJ, que é umas das mais importantes comissões da Casa Legislativa, se transformou em um verdadeiro balcão de negócios. Uma vergonha.

E por que querem mais e mais denúncias contra o chefe do Executivo?

A vitória de Temer na CCJ custou a bacatela de R$ 15 bilhões entre recursos para aliados e emendas parlamentares.

Ora, ora…

A vez da economia

No aspecto moral, oposicionistas e governistas, deixando de fora algumas e honrosas exceções, se igualam.  Estão chafurdados no lamaçal.

Um fica com medo da pedrada do outro, já que seus telhados são de vidros. Quem acusa termina sendo acusado pelo mesmo crime, quase sempre de corrupção.

O “Fora Temer” versus “Fica Temer” vai ter que ser disputado no campo econômico, com a imprensa exercendo o protagonismo.

O Ministério do Trabalho divulgou na segunda-feira, 17, que o Brasil abriu 9.821 vagas formais no mês de junho.

Aí as manchetes são dadas de acordo com os interesses de cada meio de comunicação, seja por jornais, blogs, televisão e etc.

O Estadão, por exemplo, no alto da primeira página estampou: “País cria 9.821 vagas com carteira em junho, terceiro mês com resultado positivo”.

Vem o Brasil 247 e diz: “Mercado de trabalho frágil mostra que depressão continua”.

Ainda bem que vivemos em uma democracia, mesmo com suas falhas e seus relampejos autoritários.

Procura-se um presidente    

Conforme anunciou o blog Pimenta, a secretaria de Governo Maria Alice, fiel escudeira do prefeito Fernando Gomes, vai para o PSD do senador Otto Alencar.

A ida de Alice para o PSD se deu até mesmo por falta de opção, já que outros partidos da base aliada do governador Rui Costa (PT) foram descartados.

Não sei como será o relacionamento da secretaria com o prefeito ACM Neto. O alcaide soteropolitano sempre teve um bom relacionamento com a “dama de ferro”.

Agora, é encontrar alguém que possa substituir Maria Alice no comando municipal do DEM. Tem pretendente que pode ter uma recaída pelo fernandismo.

Todo cuidado é pouco. A política não costuma socorrer os que dormem e, muito menos, os ingênuos e incautos.

Menino maluquinho       

O prefeito de São Paulo, o tucano João Doria, obviamente do PSDB, perdeu a estribeira, como diria a minha saudosa vovó Nair.

O alcaide, cada vez mais assustado com o crescimento de Jair Bolsonaro (PSC) nas pesquisas de intenções de voto para o Palácio do Planalto, parece descompensado.

Perdeu a compostura que um gestor público deve ter no exercício da sua função. Chega ao ponto de chamar a ex-presidente Dilma Rousseff de “anta”.

Suas atabalhoadas atitudes são motivos de críticas até por parte de lideranças do tucanato. FHC acha Doria um “gestor de Facebook”. José Serra “um blefe”.

O governador Geraldo Alckmin (SP), por conta do bom relacionamento que deve ter com o colega de legenda, prefere o silêncio.

É bom lembrar que Doria é cria política de Alckmin. Mas andou ensaiando, na calada da noite, uma candidatura presidencial mesmo sabendo da intenção do criador de disputar o pleito.

Até o jornal Folha de São Paulo, antes simpático às pretensões dorianas, diz, em editorial, que a candidatura presidencial não passa de um “balão de ensaio”.

Os adversários do mandatário-mor paulistano costumam chamá-lo de “menino maluquinho”. Nas redes sociais vem sendo chamado de “Prefake”.

PS – Fake é uma palavra da língua inglesa que se atribui a pessoas falsas, que não são autênticas, que ocultam a verdadeira identidade.

A debandada dos insatisfeitos         

Como existe um consenso entre governistas e oposicionistas, a “janela” para mudar de partido sem o risco de perder o mandato pode ser transferida para setembro ou outubro desde ano.

Parlamentares insatisfeitos com suas legendas já começam a namoricar com outras agremiações partidárias.

No bojo da reforma política também o chamado “distritão”, que vai eleger para o Legislativo os mais votados em cada Estado.

Aqui em Itabuna, alguns vereadores podem deixar os partidos pelos quais foram eleitos. A fidelidade partidária é novamente derrotada pelo jeitinho brasileiro e o vergonhoso casuísmo.

Os chefes de Executivo, ávidos por uma maioria obediente no Parlamento, que feche os olhos para as falcatruas, vão fazer de tudo para acomodar os desertores nas legendas aliadas.

Todo mundo sabe como funciona esse “vão fazer de tudo”. É o toma-lá-dá-cá, amigo íntimo da impunidade e cada vez mais triunfante e vitorioso.


Desrotulando

 

A vida dá voltas. A todo instante precisamos fazer escolhas. E entre tantas possibilidades escolhemos aquela que, no momento, parece-nos ser, talvez, a mais “justa”, a mais “adequada”, ou a mais “conveniente”. Entretanto, é uma grande bobagem acreditar que se fez, se faz ou se fará a escolha sempre “certa”!

“Ao vencedor, as batatas!” Esse é o foco central do “Humanitismo” do Quincas Borba, o extraordinário personagem do genial Machado de Assis (1839-1908). Oposto ao “Humanismo”, que valoriza o homem, dando-lhe grande destaque a tudo que realiza, o “Humanitismo” é pessimista, ou quem sabe, realista, prático. Vejamos, nas palavras do próprio Quincas Borba: “Supõe-se um campo e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar somente uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutri-se suficientemente e morrerão de inanição. A paz, neste caso, é a destruição; a guerra, é a esperança. Uma das tribos extermina a outra recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, as aclamações. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se. Ao vencido, o ódio ou compaixão… Ao vencedor, as batatas !”

A vida, nessa perspectiva, é uma luta pela sobrevivência. Daí “nascem” o “vencedor” e o “perdedor”, bem como, entre outras consequências, por exemplo, “nascem” também os rótulos que minam, emperram, constrangem e até destroem nossas relações interpessoais. Ora, a vida é um novelo que deveríamos estar desembaraçando, juntos. No entanto, estúpidos e contrários à simplicidade, nós complicamos, desperdiçamos e rotulamos tudo aquilo que seja contrário ao que pensamos e/ou sentimos.

Assim, não vemos que a vida é assustadora e, simultaneamente, imponderável: podemos engasgar com a nossa saliva, por exemplo, e morrer! Contudo, ainda mais assustador e imponderável é pensar que nossas convicções, decisões ou nossas escolhas foram/são/serão as mais “acertadas”. Bobagem! Sem percebermos (ou mesmo percebendo, o que é muito pior!) incapacitamos nossas mentes e nossos sentimentos porque nos agarramos, absurdamente, aos nossos julgamentos, como se eles fossem algo maior do que realmente são: apenas conceitos!

Galileu Gallilei (1564-1642), físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano, há bastante tempo, nos ensinou: “Eppur si muove” (no entanto ela se move), referindo-se ao fato de que a Terra se move em torno do Sol. E se a Terra se move… Porque não os nossos conceitos?! Ora, tudo se move! Especialmente o que pensamos e o que sentimos! Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), por sua vez, proclamou ao final de seu famoso poema “José”: “Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, Sem teogonia, Sem parede nua Para se encostar, Sem cavalo preto Que fuja a galope, Você marcha, José! José, para onde?” Drummond nos ensina que estamos sozinhos e precisamos uns dos outros para mitigar nossa solidão.

Não estamos aqui (e nem sequer sabemos por que estamos aqui) para rotular nada e ninguém! E quando rotulamos, imediatamente, separamos, dividimos, odiamos, complicamos, desgraçamos, estabelecemos fronteiras e desperdiçamos a vida.

Rotular é limitar a inteligência. Rotular é aprisionar o sentimento. Alguém já escreveu um dia que “rótulos foram feitos para produtos, não para pessoas”. Deveríamos, portanto, buscar prioritariamente e incessantemente a liberdade. Aquela liberdade que nos conforta, que nos conecta a nós mesmos, e que pode, enfim, nos tornar pessoas melhores. A liberdade e a felicidade, ainda que efêmeras, podem nos unir. Para alcançarmos essa união e desfrutarmos desses pequenos contentamentos (da liberdade e da felicidade) é bom desrotularmos tudo o que possa adiar esse encontro.

Cláudio Zumaeta – Historiador graduado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC, Ilhéus – BA)  Administrador de Empresas graduado pela Universidade Católica de Salvador (UCSAL, Salvador – BA). Especialista em História do Brasil (UESC, Ilhéus – BA). Mestrando em História Regional e Local (UNEB Campus V, Santo Antonio de Jesus). Membro da Academia Grapiúna de Letras (AGRAL).

 

 


A doida

 

Recebia o pão sem agradecer, como se fosse comprado. Saía andando depressa, em sua caminhada de doida, seguida por um cachorro pulguento. O dono da padaria achava bom, porque ela era suja, um vestido fedendo, os cabelos amontoados, como um ninho de pássaro. Ele a olhava sumindo no passeio e dizia com pena: “Coitada!” A doida caminhava ligeiro, embora não fosse a lugar nenhum. Sem casa, sem parente nem aderente, ela só tinha uma coisa: pressa no andar. Se apegava à rua, era o caminho que devia percorrer, como cada um se apega à vida, a vida que se deve viver. Os pés imundos no chão, sem ter onde descansá-los. O cachorro a seguia um pouco atrás. Mais tarde parou cansada e sentou-se debaixo de uma marquise. O cachorro, solidário, deitou-se ao seu lado. Ela resmungava, de vez em quando, umas duas palavras: “Num vou não!” Aos 14 anos, a mãe a empurrara ao cabaré de Silmara: “Vai ganhar dinheiro, besta!” E ela, em choro, apanhando da mãe: “Num vou não!”  Apanhava até ir. Na volta, a mãe tomava-lhe o dinheiro: “Num te disse que tu ia ganhar!” Na noite seguinte tornaria a bater-lhe até ela ir se deitar com os homens. Sustentava a mãe e os dois irmãos menores assim. Magoada, destruída, fechou-se num isolamento de todos. Obedecia às ordens da mãe e deixava-se possuir pelos homens, mas não falava com ninguém. Criou um mundo próprio, dentro de si, onde passou a morar. Os anos e os bregas foram passando em sua vida. Depois adoecera e nenhuma Casa quis mais aceitá-la. Ficou andando  apressada pela rua. Sentou-se cansada debaixo da marquise. Arquejava e sentia febre da pneumonia. Deitou-se no chão, encostou a cabeça no batente, como travesseiro, e morreu..


O presidente em a apuros

 

A vida não está nada fácil para o atual ocupante do Planalto; vice de uma presidente arrogante que sofreu um impeachment há mais de um ano, esperava-se que o sucessor, pela idade, pela longa experiência no parlamento, pela vida profissional no ramo do direito, fosse completar o mandato de maneira tranquila e entregasse ao sucessor, em 2019, um país um pouco melhor. Entendo, após acompanhar o desenrolar da política brasileira desde os anos cinquenta, que não é fácil conduzir um país das dimensões continentais como o nosso, com tantas desigualdades regionais e com uma classe política que ainda precisa aprender muito.

Já vimos inúmeras crises e, certamente, outras surgirão no futuro; o parlamentarismo não faria desaparecer as crises mas elas seriam diminuídas e resolvidas mais rapidamente; ocorre que o povo brasileiro, chamado a opinar em dois plebiscitos, rejeitou o parlamentarismo, preferindo continuar com um presidencialismo que é rejeitado pela maioria das principais nações democráticas no mundo, a exceção dos Estados Unidos da América do Norte. Outra confusão muito grande é a existência de tantos partidos políticos, se não estou enganado, temos 35 registrados e mais 34 esperando registro. É muito difícil, se não impossível, negociar com tantos grupos políticos, a maioria ávida por negociatas e lançar mão no dinheiro público.

Costumo lembrar que, nos últimos sessenta anos, um presidente cometeu suicídio, outro renunciou com apenas seis meses de mandato, um terceiro foi deposto e dois sofreram o processo de impeachment. A democracia sofreu alguns arranhões, foi instaurada uma ditadura em 1964 que durou até 1985. Excetuando a prática da tortura e a abolição de prerrogativas democráticas, o período ditatorial não foi tão maléfico para o país, como se costuma apregoar; o Brasil avançou, a corrupção, se existiu, era mínima e a violência era a mesma encontrada nos demais países, fruto da própria natureza humana, sem os excessos que estamos vendo no momento; frequentava-se as ruas, avenidas e praças, sem medo, a qualquer hora do dia ou da noite. Vá fazer isso hoje!

Mas, retornando aos problemas vividos pelo presidente Temer, as acusações contra ele são pesadas e, se verdadeiras, o mais certo seria a sua saída. Ainda estou à espera de um pronunciamento da justiça, que possa esclarecer de maneira satisfatória os fatos que estão em jogo, pois acredito que, por trás de tudo isso, há, também, interesses contrariados, tanto nos meios políticos e empresariais como na grande mídia. A disputa política é brutal.

Com Temer ou sem Temer, o que a maioria do povo brasileiro deseja é paz, prosperidade, queda desse monumental desemprego e que voltemos a respirar um pouco de segurança. Continuar com essa situação que estamos vivendo, é umatristeza.

João Otávio Macedo


A vida correndo entre os dedos

Você já mergulhou as mãos no mar, retirou-as e ficou olhando a água escorrer entre os dedos até sumir de todo? Pois é assim que me sinto, quando começo a pensar sobre a minha vida que corre. Um fluxo de lembranças se precipita na memória, sem que eu possa detê-las, como se fossem água vazando. Em pouco tempo, só tenho as mãos vazias, embora ainda molhadas. O meu passado logo se esvai na mente e fico apenas com a sombra de algo que passou, se foi e não mais existe, embora os olhos ainda estejam molhados do que vivi.  Some a água e ficam os dedos; vão-se as lembranças e fico eu, em silêncio, remoendo a mim mesmo. No fim de tudo, apenas a alma cega se procurando no escuro. A vida é assim, contínua, sem pausa, nem mesmo para que você se recomponha e possa continuar a viver. A vida é uma única partida de futebol, sem intervalo nem segundo tempo. Você só pode pensar na vida, vivendo-a, sem lhe pedir um tempo. O tempo é da vida, não pertence a você. Se ela lhe der um tempo, mesmo para pensar nela, é da vida que você o está tirando. Tudo o que a gente viveu é água que passou por nós, escorreu e sumiu. A memória é como uma peneira que mergulha nas lembranças, sem, no entanto, poder trazê-las de volta. Ao fim de cada segundo, tudo se transforma em passado, em lembranças, e você é obrigado a continuar vivendo, ainda que não saiba o que é sua vida. A única coisa que você pode fazer é viver. Arranje alguma crença, uma fantasia bonita como a de Papai Noel.  Ela  não vai lhe explica a vida, mas pode ajudá-lo a sobreviver. Para saber quem é você, não interrogue o passado, que você lembra, nem o futuro, que você não conhece. Você é unicamente espanto e dúvida. Viva assim…


Fez-se justiça?

 

Na semana passada, o processo de cassação da chapa vitoriosa em 2014 tomou as atenções do povo brasileiro. São coisas interessantes que vimos no nosso fabuloso país, que não sei se também ocorrem em outros lugares; dá para entender que, após dois anos e meio de governo, haja julgamento para saber se os eleitos ficam ou não? estamos na metade do ano, restando, portanto, um ano e meio de governo pois, no próximo ano, teremos novas eleições; esse julgamento deveria ser feito logo no primeiro ano de governo.

O processo rolou por muito tempo até que, enfim, no dia 09 do corrente, foi a julgamento, no Tribunal Superior Eleitoral, considerando que a chapa vitoriosa em 2014 não merecia cassação. O resultado, como tudo na vida, agradou a uns e desagradou a outros. Após o julgamento, ouvimos opiniões diferentes, não só dos políticos como de juristas e magistrados aposentados, ora condenando ora absolvendo os dois envolvidos, a presidente e o vice. Parece-me, após observar as diferentes interpretações do pessoal da área jurídica que, do ponto de vista estritamente jurídico, o mais acertado seria a condenação; do ponto de vista político, as opiniões são outras e houve até um ex-presidente do referido TSE que disse, em entrevista a um canal de televisão, que os julgamentos, mesmo atendo-se aos aspectos eminentemente jurídicos, não deixam de ter alguma conotação política. Esse julgamento ainda propiciará muitos comentários mas já é página virada na história do Brasil.

O atual presidente está vivendo dias muito difíceis, que pioraram bastante após as denúncias de um dos donos do conglomerado JBS, causando um pesado estrago na já combalida vida política da nação. Há quem jogue as cartas, apostando que o atual governo não conseguirá ir até o final pois é alvo de pesadas acusações, algumas envolvendo gordas “propinas” que teriam ido parar no bolso do presidente e de graduados assessores. Não sei se é verdade e continuo aguardando a palavra final da justiça, apesar dos pesares.

A favor do atual governo temos uma melhorada na economia, que mexe diretamente no bolso do cidadão e da cidadã; na baixa da inflação; no superávit da balança comercial e na retomada de crescimento da indústria. Pesa o preocupante número de 14 milhões de desempregados. Um fator também a favor do atual governo, que não tem sido muito comentado, é a diminuição das invasões de terra, das ameaças do membros do MST, fatos corriqueiros nos dois últimos governos.

Estamos em plena crise e isso não é nenhuma novidade; os três poderes, apesar de estarem bem próximos naquela bela praça em Brasília, não se entendem e parecem manter um estado de beligerância, que não traz nenhum benefício à nossa conturbada democracia. A cada dia, uma” alfinetada” de um lado ou de outro mas, felizmente, como quase todos fazem questão de dizer, e é verdade, as instituições continuam sólidas. Não paira no horizonte a menor sombra de um possível golpe, como vimos em décadas passadas.

É preciso acreditar na democracia e torcer para que os políticos tomem juízo; e os empreiteiros, idem.

João Otavio Macedo.


Livre…

Já ergui o “chicote” das minhas “verdades” muitas vezes, contra meus debatedores. E, outras vezes, brandi o látego cortante das minhas ideias nas costas daqueles que discordavam das minhas palavras (hoje eu sei que não eram novas as minhas ideias e tampouco eram minhas as palavras que eu defendia arduamente). Naquele tempo, entretanto, quando se tratava dos meus posicionamentos políticos, cheguei a acreditar que o açoite das “minhas palavras” de “esquerda” domariam meus opositores ou os afugentariam, o que nos dois casos eu considerava como uma grande vitória.

Eu só não me dava conta de três coisinhas básicas, essenciais: primeiro, o “chicote” que estalava nas costas alheias, ia forte, mas voltaria ainda mais forte, ou melhor: o ricochete atingiria minha cara, minha língua e “minhas ideias”; segundo, a experiência de vida conta e conta muito na hora de manejar o “chicote”, pois é preciso saber usá-lo, para saber fazer, caso se pretenda alcançar algum objetivo; terceiro, o “chicote” que eu usava com aparente competência, habilidade e “verdade” era manipulado por alguém muito mais “esperto” do que eu podia supor.

No passado, defendi “meus argumentos” como se eles fossem meus de fato. E ainda pior: os defendi como se fossem a mais pura e cristalina “verdade”. Grande e lamentável engano! Hoje, ainda a respeito dos meus posicionamentos políticos, me dizem que sou de “direita” e que uso o “chicote” das “minhas palavras” para açoitar aqueles que discordam do que digo. E me dizem mais ainda: que os meus posicionamentos de “direita” são tentativas de domar meus opositores ou afugentá-los! Pode?

Querem, ainda, mesmo agora com a experiência que penso ter adquirido, que eu use minhas palavras de acordo com as conveniências que cada um dos grupos interessados defende. Não o farei! E digo isso a par de que, essencialmente, não permito mais que me digam o que eu tenho de fazer. Bem como não permito que façam de mim um instrumento de propagação daquilo que, verdadeiramente, mais interessa aos outros do que a mim mesmo!

E tem mais: não existe essa coisa que os “intelectuais” (de um lado ou de outro) chamam de “esquerda” e/ou de “direita”. O que existe mesmo é o quanto nós podemos ser impactados por essas ideias, o quanto acreditamos nelas, e, principalmente, o quanto deixamos de acreditar.

Pense. Reflita. Pondere. Você sobreviveria a si mesmo se fosse livre? Você entenderia os eventos da vida se sentisse, pensasse e agisse a partir de suas próprias percepções? Você seria capaz de reconhecer seus “aliados” ou seus “opositores” sem as máscaras que eles usam? Então, esses são alguns dos desafios que cada um de nós, no seu devido tempo, precisa (se quiser) enfrentar para buscar suas próprias e essenciais inteligências.

A vida, ou pelo menos o que eu aprendi com ela, (ou penso que aprendi, até agora) é um caminho sempre de volta ao que somos na essência. A vida talvez seja um renovado autoconhecimento. E por isso, quando afinal deixei para trás aquilo tudo que me “ensinaram”, sem desmerecer os “ensinamentos” porque eles fizeram parte da minha autodescoberta, da minha caminhada, do meu encontro de volta ao que eu sempre senti valer a pena – o amor, a liberdade e a felicidade –, só então é que eu me senti em paz.

Sentir-se feliz, amado e livre é o maior desafio que trouxemos para a vida. Ainda que só consigamos vivê-los por alguns instantes. Mas não se esqueça: a vida é um instante.

Cláudio Zumaeta – Historiador graduado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC, Ilhéus – BA)  Administrador de Empresas graduado pela Universidade Católica de Salvador (UCSAL, Salvador – BA). Especialista em História do Brasil (UESC, Ilhéus – BA). Mestrando em História Regional e Local (UNEB Campus V, Santo Antonio de Jesus). Membro da Academia Grapiúna de Letras (AGRAL).

 

 


O domingo

 

Solidão é você despir-se de todas as relações sociais e ver a si mesmo in natura, sem a mediação de qualquer outra pessoa. O professor Dário Mendonça passava a semana toda correndo de uma escola a outra, dando aulas de matemática. Repetia aos colegas e a si mesmo em vários momentos: “Tou cansado! Tou doido que cheguem o sábado e o domingo!” E chegou mais do que ele esperava: a sexta foi feriado e ele tinha um longo fim de semana. Ao chegar em casa, na quinta de noite, a mulher e os dois filhos estavam de saída para uma excursão da igreja. Mal teve algumas informações sobre a comida: “Tem arroz e feijão na geladeira! Os bifes estão no congelador, é só fritar!” Quando saíram, prof. Dário levantou os braços para cima e pensou aliviado: “Graças a Deus! Três dias de paz e sossego!” Esticou-se no sofá, ligou a televisão e ficou gozando o prazer de não ter de levantar cedo no dia seguinte para dar aulas. De noite, esquentou a comida, abriu uma cerveja e comeu com o prato na mão, assistindo ao noticiário na TV. Adormeceu no sofá e acordou umas 2h da madrugada. Lembrou que estava sozinho em casa. Quis voltar ao sono, mas, sendo o dia seguinte feriado, ficou sem qualquer motivo para dormir. Pensou em ir preparar aulas, mas não haveria escola nos próximos três dias. Ligou a televisão mas não conseguia acompanhar o filme que passava. E, de repente, sentiu-se perdido, barco sem rumo, sem sono, espichado naquele sofá, em plena madrugada silenciosa, sem alunos que o chamassem de professor, sem a mulher que o chamasse pelo nome, sem os filhos que o chamassem de pai. Sua identidade vinha dessas pessoas. Sem elas, era agora  um espantalho vazio, sem alma…