Fez-se justiça?

  Na semana passada, o processo de cassação da chapa vitoriosa em 2014 tomou as atenções do povo brasileiro. São coisas interessantes que vimos no nosso fabuloso país, que não sei se também ocorrem em outros lugares; dá para entender que, após dois anos e meio de governo, haja julgamento para saber se os eleitos … Leia Mais


Livre…

Já ergui o “chicote” das minhas “verdades” muitas vezes, contra meus debatedores. E, outras vezes, brandi o látego cortante das minhas ideias nas costas daqueles que discordavam das minhas palavras (hoje eu sei que não eram novas as minhas ideias e tampouco eram minhas as palavras que eu defendia arduamente). Naquele tempo, entretanto, quando se … Leia Mais


O domingo

  Solidão é você despir-se de todas as relações sociais e ver a si mesmo in natura, sem a mediação de qualquer outra pessoa. O professor Dário Mendonça passava a semana toda correndo de uma escola a outra, dando aulas de matemática. Repetia aos colegas e a si mesmo em vários momentos: “Tou cansado! Tou … Leia Mais


Atravessando o Cachoeira 

Nos últimos anos, talvez por força mesmo do envelhecimento, à medida que vamos nos aproximando das comemorações de mais um aniversário da emancipação política de nosso município, que faço uma viagem ao passado, relembro os fatos da infância e da adolescência, vividos numa Itabuna bem menor e mais aconchegante, sem essa balbúrdia do trânsito, sem … Leia Mais


ACM Neto versus Rui Costa                                                                                                                       … Leia Mais


O RETORNO DO AEROPORTO

 

Algumas vezes já escrevi sobre o movimento aeroviário em nossa cidade, contando a sua história e a importância que teve o nosso aeroporto, principalmente nos anos cinquenta e sessenta. A pista não era asfaltada, as instalações para os passageiros eram acanhadas e sem qualquer conforto, mas a nossa cidade encontrava-se em conexão com os principais pontos do país; as aeronaves da Cruzeiro do Sul e da Real Aerovias, utilizando os antigos mas seguros DC-3 aqui desciam e daqui partiam e nunca houve um acidente com mortes, apesar da precariedade. Por ironia do destino ou que outro nome tenha, quando a pista foi asfaltada e foi construída uma confortável estação para os passageiros, eis que o aeroporto foi desativado e ficamos inteiramente à mercê do aeroporto de Ilhéus.

Era intenso o movimento aeroviário em nossa cidade; uma aeronave da Varig, sucessora da Real Aerovias, pernoitava aqui e decolava para Salvador, diariamente, às 07:05 hs., às vezes descendo em Ilhéus para pegar passageiros e havia um retorno, de Salvador, por volta das 15:00 hs. Foi uma luta muito grande para a instalação do aeroporto, que recebeu o nome de Tertuliano Guedes de Pinho, em cujas terras foi construído. Em 1955, o então presidente da república Café Filho, pernoitou aqui, com sua comitiva, indo no dia seguinte para inaugurar a Usina de Paulo Afonso, grande anseio do povo nordestino; ano seguinte, desceu no nosso aeroporto a aeronave que trazia a equipe do Botafogo do Rio de Janeiro, com Garrincha, Nilton Santos e outros bambas, primeira equipe carioca a se apresentar no gramado do velho estádio da LIDA. Aos domingos, muitas pessoas iam ao aeroporto para assistir ao movimento das aeronaves.

Pois bem, isso tudo acabou justamente quando se asfaltou a pista e instalações condignas foram edificadas. Vez por outra um saudosista, como eu, lembra do aeroporto e alguns mais afoitos lançam-se pela sua reativação, principalmente pessoas ligadas ao Aeroclube de Itabuna, sempre sonhando com sua reativação.

É o que está acontecendo, agora, quando os tenazes componentes do Aeroclube de Itabuna acabam de receber, da Prefeitura, a concessão do aeródromo para o citado Aeroclube e já estão providenciando os trâmites legais junto a Agencia Nacional de Aviação Civil (ANAC). Providência diversas deverão ser tomadas para que o aeródromo possa voltar à sua utilização, evidentemente, recebendo aeronaves condizentes com a sua capacidade operacional já que não há condições para receber aeronaves de grande porte.

Vejo brilho nos olhos de Olívio quando fala sobre o aeroporto e mostra a documentação que será apresentada aos órgãos competentes; os verdadeiros itabunenses nunca aceitaram a desativação do nosso aeroporto, cuja pista passou a servir para auto-escola e outras destinações.

Esperamos que o ânimo não se arrefeça dessa turma briosa do Aeroclube de Itabuna e vejamos o nosso aeroporto, ou aeródromo, como querem alguns, funcionando. A cidade e a região agradecem.

 

João Otavio Macedo.


Um filho viciado

A fera o mata e o destroi de vez, a droga o faz subir lentamente um calváriofotos-odilon-pinto-006


 

 Não deseje, nem ao seu pior inimigo, que ele tenha um filho viciado em qualquer tipo de droga, legal ou ilegal. Você não imagina o que é, para um pai e uma mãe, ver o filho querido, amado desde o berço, se transformar num animal, num louco, num criminoso, num doente. Os mesmos olhos, os mesmos cabelos, o mesmo rosto que você tanto acariciou em seus braços, agora rouba seu dinheiro, vende as coisas de dentro de casa e até o agride, para conseguir o dinheiro da droga. Você tem razão: não é mais seu filho, não é mais sua criança dengada: é um monstro desconhecido, um bandido perigoso, um assassino enfurecido. Só que a fala é do seu menino amado, o jeito é do seu filho, a pessoa é a mesma que você carregava no colo. O coração fica dividido entre o amor ao bebê e o terror da droga. Mais antes a gente ver uma fera devorar nosso filho, do que vê-lo debatendo-se e agonizando nas garras do vício. A fera o mata e o destroi de vez, a droga o faz subir lentamente um calvário, causando-lhe dor prolongada, dilacerando-lhe a carne passo a passo, até beber sua última gota de sangue. E você não pode sequer enxugar-lhe a face, apenas assiste à morte lenta de quem mais você ama. Não deseje, nem ao seu pior inimigo, que ele tenha um filho viciado em qualquer droga. Como se pode proteger quem caminha, com seus próprios pés, para o abismo?  O que falar a quem não o escuta? Que caminho mostrar a quem já está cego? Como fazer alguma coisa, ao ver distante e perdido o filho que está bem à sua frente, ao alcance de sua mão? Como assistir ao enterro de quem ainda está vivo? Não deseje, nem ao seu pior inimigo, que ele tenha um filho viciado em qualquer droga. Você estará desejando sua pior morte…


É urgente dedetizar o petismo!

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O Brasil é a quarta nação mais corrupta do mundo, segundo o índice de corrupção do Fórum Econômico Mundial. O país está atrás apenas do Chade, da Bolívia e da Venezuela, que lidera o ranking. A corrupção é um dos elementos que o Fórum inclui em seu índice anual de competitividade, baseado em uma pesquisa com 15.000 líderes empresariais de 141 economias do mundo.

Essa corrupção, no Brasil, sistêmica e institucionalizada em todos os poderes da República, se consolidou e se expandiu através do petismo, tendo Lula como “o chefe máximo dessa organização criminosa”, que acabou por devastar a sociedade brasileira. E como se isso parecesse pouco, a corrupção institucionalizada pelo petismo avançou pelo mundo afora, via Construtora Odebrecht, o que resultou/resulta no maior escândalo de corrupção do Ocidente (segundo as investigações da Operação Lava Jato).

O Fórum fez três perguntas aos líderes empresarias: “O quanto é comum o desvio de fundos públicos para empresas ou grupos?”; “Como qualifica a ética dos políticos?”; e “O quanto é comum o suborno por parte das empresas?”. Em uma escala de um a sete, em que, quanto maior a nota, maior é a transparência, o Brasil recebeu 2,1, segundo análise publicada pela Business Insider. Já no estudo divulgado pela Transparência Internacional, o Brasil ficou em 76º colocado em uma lista sobre a percepção de corrupção do mundo entre 168 países.

Tem mais: entre as 10 nações mais corruptas do ranking do Fórum Econômico Mundial, cinco são latino-americanas: Venezuela, à frente, com nota 1,7; Bolívia, com 2; Brasil e Paraguai, ambos com 2,1; e República Dominicana, com 2,2. Eis a nossa tragédia escancarada! Infelizmente, o petismo se alastrou (e se alastra através de seus cúmplices que permanecem no poder) destruindo nosso sistema político, social e financeiro. O Brasil está no fundo poço! E vai custar pelo menos uma geração para que o país se erga dessa queda programada pelo poder pernicioso do petismo. Afinal, o PT só se importa com o PT!

Essa situação levou-me, por analogia, a pensar na série “Mr. Robot”, e no seu personagem central, Elliot Alderson. Elliot é um jovem que trabalha numa empresa de segurança cibernética como programador. Lá pelas tantas, no desenrolar da trama, Elliot percebe que somos controlados, todos nós somos controlados por 1% dos políticos e/ou mega empresários do mundo. Esses privilegiados nos querem imersos na “realidade dos ingênuos”, ou melhor: trabalhando, sem nada questionar, ganhando pouco, enquanto aqueles eles enriquecem mais ainda e tornam-se cada vez mais poderosos. Em síntese: os pobres, especialmente os mais pobres, os de pouca formação e informação, sustentando e sendo manobrados por esse 1% que detém o poder. Mais próximo da realidade brasileira impossível…

Referindo-me ainda àquele seriado, assistimos a cena na qual a psicóloga que trata Elliot, perguntar: “O que tem na sociedade que te decepciona tanto?”. E ele responde sarcástico: “Ah, sei lá. Será que é porque coletivamente pensávamos que Steve Jobs era um grande homem, mesmo sabendo que ele fez bilhões nas costas de crianças? Ou talvez porque sentimos que todos os nossos heróis são falsificados e o mundo por si só é uma grande farsa?”

Pois é, o petismo montou uma grande farsa e uma ampla rede de corrupção. Deste modo, infectou todo o sistema político-sócio-econômico brasileiro. O propósito desse esquema era/é manipular o país com suas tramóias e manter-se no poder indefinidamente. É lamentável que alguns ainda defendam essa turma e não tenham entendido que são “buchas de canhão” desse projeto de poder (ou entenderam, mas são coniventes porque estão “mamando” na roubalheira petista e de seus cúmplices).

Enfim, passou da hora de dedetizar a praga petista. Parodiando Monteiro Lobato (1882-1948): ou o Brasil acaba com o petismo ou o petismo acaba com o Brasil.

Cláudio Zumaeta – Historiador graduado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC, Ilhéus – BA)  Administrador de Empresas graduado pela Universidade Católica de Salvador (UCSAL, Salvador – BA). Especialista em História do Brasil (UESC, Ilhéus – BA). Mestrando em História Regional e Local (UNEB Campus V, Santo Antonio de Jesus. Membro da Academia Grapiúna de Letras (AGRAL).


O preço do progresso

João Otávio MacedoJoão Otávio Macedo

Fazendo-se um passeio pela história da civilização, ficamos encantados com o formidável avanço adquirido ao longo do tempo, sendo impossível imaginar a vida sem essas conquistas que mudaram o mundo. Há menos de duzentos anos, o transporte utilizado na terra era de tração animal embora, séculos antes, o homem já se aventurasse pela imensidão desconhecida dos oceanos em barcos acanhados, para os padrões de hoje, mas foi essa intrepidez que propiciou as grandes navegações e os grandes descobrimentos nos séculos XV e XVI. Foi entre os séculos XIX e XX que ocorreu um salto imenso, com a invenção da máquina a vapor empregada na ferrovia e o automóvel; no século passado, a realização do antiquíssimo sonho humano de voar. A invenção do telégrafo sem fio já foi outro ganho importante, depois o rádio e, posteriormente, a televisão, até chegamos aos dias presentes com a informática e os diversos tipos de celulares, ensejando conversas simultâneas em qualquer parte do globo, com o recurso de ver, na tela, o interlocutor; e, certamente, pelo andar das pesquisas, ver-se-á, no futuro, coisas ainda mais fantásticas.

No campo da medicina o progresso foi fantástico; séculos atrás não se conhecia a existência dos microorganismos, como as bactérias, os vírus, os protozoários e os fungos, e as doenças eram tratadas empiricamente, muitas sendo catalogadas como castigo dos deuses. Ampliou-se o campo do diagnóstico e um grande arsenal para a cura e/ou tratamento de muitas doenças; as cirurgias mais complexas tornaram-se rotinas e, tudo isso, e mais os cuidados com a higiene, com a alimentação, com o estilo de vida, têm aumentado a média de vida.

Mas, tudo tem um preço e, às vezes, um preço muito caro; as fábricas e os motores dos veículos usando combustível fóssil, contribuem para a modificação do clima, dos oceanos, das calotas polares, com reflexos que já se fazem sentir no presente e, dizem os cientistas, no futuro será pior.

A  descoberta dos antibióticos foi um marco decisivo na história da medicina e milhões de vidas deixaram de serem perdidas muito cedo graças a ação desses medicamentos, verdadeiramente miraculosos. Acontece que, ao passar do tempo, os antibióticos foram sendo usados desenfreadamente e sem o devido acompanhamento de profissionais que estudaram e sabem a dosagem certa, o tempo certo e para que devem ser usados. O uso indiscriminado desses remédios ocasionou um fenômeno biológico conhecido como” resistência bacteriana”, surgindo as temíveis “bactérias super-resistentes”, hoje um verdadeiro terror quando do tratamento de algumas infecções, mormente as adquiridas quando de uma internação hospitalar. Os cientistas afirmam que essa mutação experimentada pelos microorganismos, principalmente as bactérias, foi ocasionada pelo uso excessivo os antibióticos, como dito acima e, também, pela falta de cuidados higiênicos.

Essas superbactérias são assim chamadas, não por um possível aumento de sua virulência, mas pela resistência adquirida frente aos antibióticos; esse fenômeno enseja constante preocupação da comunidade científica internacional e, já se fala, até, em uma pandemia, no futuro próximo, de infecções que não responderão aos antibióticos existentes.

O que nos resta fazer? Usar os antibióticos quando realmente forem necessários e sob a indicação de profissionais da área; esperar que a poderosa indústria farmacêutica sintetize novos produtos capazes de enfrentar esse quadro, desenhado como tenebroso, para um futuro que não está muito longe.

João Otavio Macedo.


PT, Geraldo e Josias

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Josias Gomes

* Marco Wense

Não só na política, como em qualquer outra atividade, a criatura costuma se virar contra o criador, principalmente quando ela começa a andar com os próprios pés.

Foi o que aconteceu com os petistas Josias Gomes e o ex-prefeito Geraldo Simões, que de companheiros (sem aspas) passou a “companheiros”.

Josias chegou aqui em Itabuna, politicamente falando, “sem eira nem beira”, como diz a sabedoria popular. Logo, logo, arrumou um emprego na prefeitura no primeiro governo de GS.

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Geraldo Simões

Hoje, até as freiras do Convento das Carmelitas sabem que Josias faz de tudo para inferiorizar Geraldo como político, não medindo esforços para alcançar seu objetivo.

É evidente que a aproximação com Fernando Gomes, além da contrapartida de receber o apoio do alcaide para sua candidatura a deputado federal, tem também um gostinho especial: o de pirraçar Geraldo, que anda danado da vida com essa inusitada aliança.

Josias, no entanto, quer mais. Parece que levou o “Josias versus Geraldo” com a faca nos dentes e sangue nos olhos. O articulador-mor do governador Rui Costa é mais adversário de Simões do que de ACM Neto (DEM).

A mais nova investida de Josias Gomes contra o “companheiro” Simões é a eleição do diretório municipal, que vai escolher os delegados que vão votar no Congresso estadual, que acontece de 5 a 7 de maio.

O atual dirigente da Bahia, Everaldo Anunciação, que já foi vereador em Itabuna e aliado de Geraldo, não é candidato à reeleição. Alega, e com toda razão, que é preciso “criar unidade, já que a legenda vive um período de conturbação”.

Everaldo, no entanto, deixa escapar que essa unidade é muito difícil de alcançar, que só o nome do ex-governador Jaques Wagner evitaria uma disputa pelo comando da sigla e, como consequência, um racha entre as correntes.

Josias quer diminuir a influência de Geraldo no petismo de Itabuna e região, enfraquecer o “companheiro”. Com efeito, já vem fazendo isso há algum tempo e de maneira impiedosa, maquiavelicamente.

Pois é. Josias versus Geraldo é briga de “cachorro grande”. Ainda bem que os dois “cachorros” são vacinados.

Conversa com Otto   

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Otto Alencar

Depois do carnaval, logo na primeira quinzena de março, o PDT de Itabuna, sob o comando do Dr. Antônio Mangabeira, vai marcar um encontro com o senador Otto Alencar (PSD).

Os dois médicos podem até falar um pouco sobre saúde, principalmente a pública, mas, com certeza, a conversa principal vai ser sobre política e, mais especificamente, sobre a eleição de 2018.

O diretório municipal vê com simpatia a sua pré-candidatura ao Palácio de Ondina, mesmo achando que ainda é cedo para qualquer tomada de decisão por parte do parlamentar.

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Antônio Mangabeira

Com efeito, o senador Otto Alencar já conhece o colega Mangabeira. Ficou alegre com sua excelente votação na última sucessão municipal, deixando para trás nomes como os do capitão Azevedo, Geraldo Simões, Davidson Magalhães e Augusto Castro.

É bom lembrar que o então candidato do PDT não fez coligação com nenhum partido e só desfrutou de 23 segundos no horário eleitoral. Nem o vice apareceu na telinha.

 


Os trumps tupiniquins

João Otávio Macedo

Não deixa de ser interessante observar a cena mundial, principalmente depois do formidável avanço nos meios de comunicação, como a televisão e, mais recentemente, as redes sociais, onde os acontecimentos são transmitidos instantaneamente mundo afora. A imprensa já foi um avanço muito grande, depois o telégrafo sem fio, o radio e, como falamos acima, a televisão, a telefonia celular com os seus acessórios e eis-nos na “aldeia global” em que se transformou a terra.

Acabou de tomar posse no governo do país mais poderoso do mundo, os Estados Unidos da América, uma figura  polêmica, destoando dos seus antecessores mais próximos e que tem motivado  muitos comentários; o Donald Trump já vem causando polêmica desde a longa campanha presidencial naquele país do norte e, as discussões continuaram durante e após a posse, com manifestações de apoio e de repúdio em seu país e fora dele, pela importância política , econômica e estratégia desempenhada pelos Estados Unidos.

Observando o comportamento do novo mandatário norte-americano, lembrei-me de duas figuras que não são rigorosamente iguais, é claro, mas apresentam alguma semelhança com o modo de agir do magnata presidente que está causando alguma preocupação mundial. O primeiro é o Jânio Quadros, também um criador de factoides, que se apresentava com os cabelos desgrenhados e que, na campanha presidencial em 1960, tinha como lema uma vassoura, pois dizia que iria varrer a corrupção no Brasil. O Jânio teve uma carreira política meteórica, pois em pouco mais de dez anos, foi de vereador a presidente da república; causou algum rebuliço na presidência, dela renunciando aos seis meses, com uma explicação insatisfatória, causando uma crise política que teria reflexos profundos na história do Brasil.

O Jânio não tinha nenhuma semelhança física com o Donald Trump; só nos gestos e nas atitudes, mas aqui em nossa Itabuna, tivemos um prefeito que tinha alguma semelhança com o dirigente americano; estou dizendo alguma semelhança, não que fossem sósias perfeitos mas, ambos com face  redonda, cabelereira  cheia, apopléticos e imprevisíveis. O José de Almeida Alcãntara, que foi prefeito de Itabuna por duas vezes e, mais vezes seria, se não houvesse morrido, era um líder populista. O Donald Trump ainda não é um líder populista, mas um bilionário, tal como outros que prosperam nos Estados Unidos; ganhou a eleição prometendo coisas que estão assustando o mundo. Não acredito que tudo isso aconteça por que aquela nação tem instituições sólidas e, lá, pelo que se sabe, as leis são cumpridas. O Trump seria uma ameaça à paz mundial, se fosse um dirigente de um país grande e rico onde a tradição democrática e o cumprimento legal não fossem uma tônica.

O Trump grapiúna chorava em público, distribuía dinheiro e era carregado pela massa que o chamava de “sêo Arcantra”; o Jânio carregava uma vassoura; “sêo Arcantra” empunhava uma colher de pau, pois dizia que ganharia as eleições “de colher”; e dançava na praça Pisa na Fulô, ali no alto Maron.

E assim, com esses Trumps, vai se escrevendo a história, aqui e alhures.

João Otavio Macedo.


De vento em popa

  * Marco Wense                Marco Wense

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O barco do senador Otto Alencar, autoridade-mor do PSD da Bahia, desliza com mais velocidade em decorrência de bons ventos que começam a soprar na parte posterior.

O parlamentar, que nasceu em Ruy Barbosa, cidade da Chapa Diamantina, médico ortopedista, deixa de lado as fraturas e fissuras ósseas para tratar exclusivamente de traumatismos políticos.

Otto vive o seu melhor momento na vida pública. Pilota seu avião em céu de brigadeiro, sem nuvens cinzentas que possam atrapalhar seu legítimo e democrático sonho: ser novamente governador da Bahia.

Até os que procuram prejudicar, agindo nos bastidores, na calada da noite, de maneira sorrateira, terminam ajudando, como Cícero Monteiro e Josias Gomes, homens de confiança do governador Rui Costa (PT).

Monteiro e Gomes, respectivamente o atual e o ex-secretário de Relações Institucionais, trabalharam para manter Marcelo Nilo (PSL) na presidência Montagemda Assembleia Legislativa do Estado.

O prefeito soteropolitano ACM Neto, o fiel da balança, o comandante da oposição, caminhava no sentido de liberar os deputados para que cada um votasse de acordo com sua vontade.

Para o demista Neto, era o mesmo que trocar seis por meia dúzia. Ou seja, tanto faz Marcelo Nilo, do PSL, como Ângelo Coronel, do PSD. Ambos integrantes da base aliada do governismo.

Quando o democrata percebeu que a articulação política do Palácio de Ondina estava pedindo votos para Marcelo Nilo, queimando o Coronel, tomou a decisão de apoiar o candidato do senador Otto Alencar.

Cícero Monteiro e Josias Gomes só fizeram o que não deveriam fazer. Sem dúvida, os responsáveis pelo apoio decisivo da oposição à candidatura do Coronel, o que levou Nilo a desistir de conquistar o sexto mandato.

Fica agora a obrigação de arrumar uma vaga para Marcelo Nilo na chapa majoritária da reeleição do governador Rui Costa, como candidato a vice ou a senador. Vale lembrar que já defenestraram Nilo na sucessão de 2014.

Ora, ora, até as freiras do Convento das Carmelitas sabem que existe uma preocupação com a ascensão do senador Alencar, que vai ocupando os espaços políticos de maneira inteligente e sem fazer oba-oba.

A prova inconteste de toda essa inquietação aconteceu na Secretaria de Comunicação Social (SECOM). A matéria sobre a eleição de Eudes Ribeiro, prefeito de Bom Jesus da Lapa, para à presidência da União dos Municípios da Bahia (UPB), não citou o nome do PSD, legenda de Eudes.

A ordem agora na articulação política do governismo é monitorar todos os passos de Otto Alencar. Para os petistas mais acautelados, que não confiam nem na própria sombra, o senador é um potencial adversário.

Outro detalhe é que ACM Neto está mais para apoiar Otto do que para sair candidato ao governo da Bahia. Pessoas bem próximas do chefe do Executivo são da opinião de que é melhor juntar forças e derrotar o petismo do que se aventurar numa eleição difícil.

Mas o que mais assombra o PT é que dos dez maiores colégios eleitorais, os quatro primeiros – Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista e Camaçari – são governados por prefeitos declaradamente antipetistas: ACM Neto, José Ronaldo, Herzem Gusmão e Elivaldo.

Desses 10 municípios, somente dois chefes de Executivo dificilmente deixariam de apoiar à reeleição de Rui Costa: o de Juazeiro e o de Lauro de Freitas, respectivamente Paulo Bonfim (PCdoB) e Moema Gramacho (PT). O prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre, é do PSD de Otton. O de Alagoinhas é Joaquim Neto, eleito pelo DEM. O de Jequié é Sérgio Gameleira (PSB).

E Fernando Gomes? Itabuna é o quinto maior colégio eleitoral. FG é uma angustiante dúvida, não em relação a sua saída do DEM, já dada como favas contadas, mas com quem fica em uma eventual disputa entre Rui Costa e Otto Alencar pelo governo da Bahia.

Não à toa que o governismo, tendo na linha de frente Josias Gomes, faz de tudo para evitar uma filiação de Fernando Gomes ao PSD do senador Otto Alencar.

Vale lembrar que o Partido Social Democrático (PSD) vai gerenciar 82 centros administrativos. No extremo sul conquistou as principais prefeituras: Teixeira de Freitas, Porto Seguro, Eunápolis e Cabrália.

Concluo dizendo que o senador Otto Alencar não é político de ficar presenciando as sabedorias do PT e ficar calado. Não é nenhum neófito no movediço e traiçoeiro mundo da política.

De vento em popa. É assim que caminha Otto Roberto Mendonça de Alencar rumo ao comando do Palácio de Ondina. Pode ter do seu lado um invejável e cobiçado cabo eleitoral: o prefeito ACM Neto (DEM).

Portanto, é desaconselhável o “já ganhou” que começa a tomar conta do Partido dos Trabalhadores. Sobressaltos, surpresas e fatos inesperados são inerentes ao jogo político.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Oralidade, escrita e tecnologia

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Em nossa sociedade letrada, os documentos escritos têm maior importância jurídica que os orais. Por isso, em transações comerciais, são os recibos, cheques, promissórias, notas fiscais e contratos que servem de prova mais forte. O antigo contrato oral de venda de cacau a futuro, entre o coronel analfabeto e o exportador, selado com o fio do bigode, foi substituído pelo documento escrito e assinado. O desenvolvimento tecnológico, no entanto, já modificou essa situação. Ao oferecer a possibilidade de gravar a voz ou filmar cenas, com som e imagem, as novas tecnologias estabilizam o oral, isto é, de certa forma, elas estão escrevendo o oral. De tal forma que as gravações telefônicas, isto é, a oralidade, estão sendo usadas hoje como prova corrente no judiciário. Podemos dizer que, em nossa sociedade, está havendo uma “escritura” do oral, de tipo totalmente novo. A escrita, que já foi feita em argila, em papiro, em pergaminho e em papel, hoje está sendo feita em fitas eletromagnéticas ou em disquetes de informática. E o comprometimento de quem fala com o que diz e para quem diz, é muito maior nessa nova escritura. A gravação da voz do cantor Belo, conversando com marginais do tráfico, tornou-se um documento “escrito” irrefutável. Foram vãs todas as tentativas de negar a veracidade das acusações porque a nova escritura traz não apenas as palavras, mas também o timbre da voz, as entonações, os silêncios significativos. Está tudo “escrito” na gravação. O descrédito dos políticos brasileiros se deve justamente às gravações eletrônicas. As afirmações solenes, gravadas no senado ontem, podem ser condraditadas hoje, por novas gravações.


A vez dos democratas

Montagem

Os democratas, não os de Barack Obama, mas sim os do prefeito ACM Neto, obviamente do DEM, debocharam da falta de opção da oposição em relação à última sucessão soteropolitana.

Bem pertinho da definição dos candidatos, de quem enfrentaria o imbatível ACM Neto, postulante à reeleição, os prováveis adversários do alcaide ainda titubeavam em enfrentar o favorito.

O governador Rui Costa fez de tudo para levar a eleição ao segundo turno, sendo o responsável direto por candidatos que não queriam disputar o Palácio Thomé de Souza, como, por exemplo, o pastor Isidório (PDT).

ACM Neto foi eleito com quase 74% dos votos válidos, o que equivale a 982.246 votos. A deputada federal Alice Portugal, do PCdoB, outro partido coligado, ficou na segunda colocação com 14.55%, 193.102 votos.

Até que tentaram convencer Jaques Wagner a sair candidato, mas o ex-ministro de Dilma Rousseff saiu de mansinho. Oposicionistas e governistas tinham razão: a reeleição de ACM Neto era favas contadas.

Pois é. Como depois da tempestade vem a bonança, as legendas da base aliada comemoram o desaconselhável e prematuro “já ganhou”. Ou seja, que o segundo mandato do governador Rui Costa é batata.

Que é verdade, é. Se ACM Neto desistir de disputar o governo do Estado na eleição de 2018, não tem mais nenhum nome da oposição com condições de se lançar candidato.

A melhora do governo Rui e sua crescente popularidade, apontadas em recentes pesquisas, funcionam como fatores que desestimulam a legítima pretensão do demista. O ponto fraco da avaliação é a segurança pública.

Outro detalhe, que deixa o demismo muito preocupado, é que uma parte considerável do eleitorado não está dando bolas para o fato de Rui Costa ser filiado ao PT.

Nos bastidores, lá de Brasília, principalmente nas hostes do peemedebismo, que ainda tem a influência do ex-ministro Geddel Vieira Lima, o plano B para enfrentar Rui é o senador Otton Alencar (PSD).

Ora, não à toa que o governador Rui Costa vem tendo todo cuidado para não contrariar Otton, dando prioridade ao PSD nos espaços da administração. O petista-mor baiano sabe que Otton é a tábua de salvação do oposicionismo.

Os democratas vivem o mesmo dilema dos petistas na sucessão da capital. Ficam na dependência total de ACM Neto. A vez agora é dos democratas, ex-PFL, ex-PDS e ex-ARENA. A sua tempestade.

 * Marco Wense


Enfim, o Centenário

João Otávio MacedoNão sabemos se aquelas 31 pessoas reunidas na residência  paroquial do Monsenhor Moysés  Gonçalves do Couto e sob  a presidência do 1º Bispo de Ilhéus, D. Manoel Antonio de Paiva, naquela noite de 04 de julho de  1916, anteviam o grande crescimento da instituição que eles pretendiam criar, a  Santa  Casa de Misericórdia de Itabuna. Aquela era a primeira reunião que faziam, outras seriam realizadas, sempre sob a liderança daquele padre empreendedor, o Monsenhor  Moysés, que aqui chegara em 1908, quando Itabuna ainda  era a Vila de  Tabocas e que já havia fundado  a Sociedade  São Vicente de Paulo e outras irmandades  católicas.

Itabuna havia adquirido a emancipação política  6 anos antes e vivia um momento de  grande    crescimento, vendo aumentar a chegada   de sergipanos  e de sírio-libaneses e a jóvem cidade necessitava de novas  instituições para atender  os seus habitantes.  Aquele  grupo decidido não deixou perder o entusiasmo e,  a  28 de janeiro de  1917, era oficialmente  criada  a  Irmandade  da  Santa  Casa de Misericórdia de Itabuna, com o objetivo de construir um  hospital e um novo  cemitério. Daí para  a frente, teve início   o difícil trabalho de angariar  recursos , até que no dia 07 de setembro de 1922, foi oficialmente inaugurado o Hospital  Santa Cruz, com 10 leitos e três funcionários; a clientela  era inteiramente formada pelos chamados indigentes. O seu diretor clínico foi o Dr. Carlos Cavalcanti da Silveira ; também participaram nos primeiros atendimentos aos pacientes os  médicos Appio José Lopes, Américo Brim d’Araújo, Ruffo Galvão, Alcides dos  Santos Silva, Walter Pinto de Almeida, Artur  Xavier da Costa  e outros. Três anos depois era oficialmente inaugurado o Cemitério do Campo Santo.

Os seus idealizadores inspiraram-se no modelo que teve início em terras lusitanas quando, no dia  15 de agosto de  1498, a Rainha Dona Leonor de Lencastre instituiu a Irmandade da Misericórdia, em  Lisboa, sendo seu primeiro Provedor o frei espanhol Miguel de Contreras. O nome de Irmandade  da Santa Misericórdia foi depois mudado para Irmandade da Santa Casa de Misericórdia; já com esse nome, foi erguida a primeira  Santa Casa em nosso país, na Capitania de São Vicente, atual cidade de Santos, no dia 01 de novembro de 1543. A segunda foi a de  Salvador, no ano de 1549.

Celebrando esses 100 anos de existência, vemos como tem sido difícil, primeiro para os seus idealizadores e, depois, para os que continuaram essa luta, pela manutenção e crescimento  de um setor complicado e caro como é a assistência   médico-hospitalar, mormente em um país com inúmeras  carências , com uma população mesclada por grande número de crianças  e de velhos; os  recursos que chegam aos hospitais são insuficientes até para a sua manutenção quanto mais para ampliar e investir em novos  equipamentos e tecnologias modernas , condizentes com o que se observa no mundo. É só acompanhar  o noticiário, principalmente pela televisão, para verificar  a situação real da maioria dos nossos nosocômios. A nossa  Santa  Casa de Misericórdia de Itabuna sempre  esteve às voltas com a situação econômico-financeira, piorando nos últimos  anos, por várias  causas que não dariam para serem explicadas  em  poucas  palavras. Já temos abordado  esse  tema em vários  comentários e, certamente, também o faremos no futuro pois as dificuldades perduram.

Como o momento é de comemoração, pelo centenário, vamos  agir com alegria e  esperança, pedindo bênçãos aos céus pela  efeméride, com agradecimentos aos homens  e mulheres que muito deram de si pela instituição.

Vida longa  veneranda  Santa  Casa de Misericórdia de Itabuna.

João Otavio Macedo.