Coluna de Mariana Benedito – A importância do sintoma


“Vivemos fugindo. Vamos colocando o foco em outras coisas. Vamos usando paliativos”


 O corpo fala!

Disso nós sabemos de cor e salteado, de trás para frente e repetimos o tempo inteiro aos quatro ventos. Mas será que a gente se deu conta, mesmo, da força e verdade que esta frase carrega?

Pois bem, meu caro leitor, pegue na minha mão e acompanhe o raciocínio. Somos seres compostos por três dimensões ou esferas: corpo, mente e espírito. E está tudo interligado! Somos integrais, holísticos, totais, globais e não há, sob a face deste planeta chamado Terra, a possibilidade de a gente entender uma dessas esferas de forma isolada, sem levar em consideração a influência e importância das outras.

Agora avalie a situação a partir deste ponto: se tudo está interligado, toda a resposta que o nosso corpo dá vem de algum estímulo ou pergunta ou inquietação. Trocando em miúdos esse bafafá todo, meu caro, os sintomas que nosso corpo nos mostra são respostas emocionais às nossas questões mais profundas. É isso mesmo!

Se a gente pudesse colocar uma escala de manifestação desses sintomas, o corpo é a última instância. Primeiro vem a manifestação a nível espiritual e todos esses dilemas existenciais que a gente tem; depois a nível mental, que é quando a gente traz esses dilemas e questões para o campo emocional e psíquico e, finalmente, a nível corporal. Então repare que o sintoma no corpo é o último a se apresentar, antes disso ele já percorreu todos os outros caminhos e foi se fortalecendo porque a gente não foi dando ligança, foi colocando para debaixo do tapete, depois eu vejo, depois eu lido com isso, tenho trabalho para fazer, tenho um mundo para dar conta. E aí, num mais lindo dia de sol, pimba! Olha lá o sintoma latejando e gritando a ponto de a gente não ter alternativa a não ser olhar e tratar.

E quando eu falo sintoma, não estou me referindo somente às doenças físicas, não. Entram no mesmo bloco os sintomas emocionais, as fugas, as crises de ansiedade, insônia, irritabilidade, pensamento acelerado, pensamento disforme, falta de foco, apatia. Algo de errado não está certo.

Vivemos em meio a uma sociedade e cultura que prezam pelo bem-estar, o que não quer dizer que prezem pelo olho no olho com nossas questões existenciais, medos, dores, dilemas, faltas. Vivemos fugindo. Vamos colocando o foco em outras coisas. Vamos usando paliativos. Repare como isso vale para tudo! Dificilmente a gente sente um sintoma e vai buscar a origem logo. Vamos esperando para ver se passa, toma um analgésico aqui, toma um anti-inflamatório ali. Toma umas cervejas para esfriar o juízo, faz um sexo casual para ver se alivia. E vai empurrando… camuflando o que está sentindo, vestindo uma máscara de fortaleza super fuleira e tentando passar a ideia de que não precisa de ajuda porque se basta. Pare. Apenas pare.

O sintoma existe para nos sinalizar, nos dizer “ei, dá uma olhadinha aqui! Já que você não se atentou a todos os outros sinais, precisei pegar pesado”, entende? O sintoma chega para nos auxiliar, para nos possibilitar ouvir o que ele quer dizer, o que ele está lutando para nos fazer entender. O sintoma vem como ferramenta para que a gente saiba onde precisa olhar, ele aponta – sem erros – onde o calo está apertando, onde existem feridas emocionais que precisam ser tratadas. De uma vez por todas.

Não adianta fugir. Aliás, chega uma hora que não há mais para onde fugir. É como diz, sabiamente, Freud: a voz do inconsciente é sutil, mas ela não descansa até ser ouvida.

O que você está precisando olhar?

O que os seus sintomas estão sinalizando?

 

* Psicanalista em formação; MBA Executivo em Negócios; Pós-Graduada em Administração Mercadológica.

E-mail: mari.benedito@outlook.com