COLUNA DE MARIANA BENEDITO – Não fuja dos provocadores!


"As situações e as pessoas vão continuar vindo para nos sacudir, nos tirar da zona de conforto "


Eu estava aqui pensando sobre como a gente sempre faz as mesmas coisas. Tem as mesmas conversas com as mesmas pessoas nos mesmos lugares. A gente se afina e se encontra com quem pensa de forma parecida com a nossa e passa a acreditar que está tudo certo: acolhido, familiarizado, identificado e tudo sussa na montanha-russa.

Mas, repare, pense comigo aqui se isso não é uma forma equivocada de achar que está tudo na mais perfeita ordem. Se o que nos engrandece, o que nos faz despertar, o que nos impulsiona a fazer melhor é justamente a diferença, a adversidade; de que forma viver sempre no mesmo vai nos empurrar para a frente? Quando a gente se cerca apenas de pessoas que pensam na mesma linha, a gente reduz a oportunidade de expandir as ideias, aprender com o outro e crescer na diversidade.

Eu, meu amado leitor, acredito que a grande questão é que a gente evita situações e pessoas que nos desafiam. Que nos tirem do que é conhecido, que sacudam a gente desse marasmo do mesmo de sempre. A gente tem medo do que é diferente, do que não conhece, de sair da zona de conforto. E, como o próprio nome já diz, deixar de lado o que é confortável – e que nem sempre é benéfico ou positivo – apenas é conhecido. Passamos muito tempo fugindo do que nos gera desconforto pelo simples fato: se nos gera desconforto, é porque existe algo a ser mexido, olhado e trabalhado. E corremos léguas de olhar para o que dói. Elementar, meu caro Watson, quem é que gosta de remexer em coisas cheias de mofo para ficar espirrando?

Mas aí é que está! As situações e as pessoas vão continuar vindo para nos provocar, nos sacudir, para nos tirar da zona de conforto e a gente não tem o controle para evitar tudo isso. E não adianta fugir! O mundo é redondo, para ninguém se esconder nas esquinas. Todos nós já passamos por situações que nos despertaram uma reação intensa, visceral, irracional que chegamos até a sentir os nervos contraindo. E vamos passar por muitas outras. É normal e, muitas vezes, não temos como simplesmente nos retirar e manter distância de tal situação. Nem sempre dá. E aí?

Na verdade, na verdade, as pessoas que nos provocam são nossos maiores professores. Verdadeiros mestres, eu diria! Aquela pessoa insuportável que está sempre com aquela cara de insatisfação e que consegue te irritar profundamente, somente em respirar o mesmo ar que você; porque ela lhe causa isso? O que torna a atitude dela uma ofensa tão pessoal e direcionada a você?

Além de grande mestre, o provocador é um grande espelho. Essa mesma pessoa que te irrita, te provoca e faz com que você chegue a sentir seu corpo se contrair, ela está te mostrando algo sobre você mesmo, que não é nada bonito e muito menos confortável, mas que está aí dentro. Se permita bater um papo bem serião com você mesmo e perguntar que sentimento está sendo pescado lá do fundo do seu ser pelo anzol do provocador. O que ele está querendo lhe dizer que você precisa saber?

Muito embora a nossa primeira reação e desejo seja sair correndo de situações e pessoas que nos incomodam, o que vai nos libertar de uma vez por todas de sentir esses incômodos e desconfortos e indo ao encontro deles, sabe? Por mais que a gente não queira sentir isso, que a vontade seja ir na direção oposta, os provocadores vão continuar aparecendo; e eles estão presentes na nossa vida para nos proporcionar um passo adiante na caminhada.

Aquilo que nos causa desconforto é o que nos liberta.

 

* – Psicanalista em formação; MBA Executivo em Negócios; Pós-Graduada em Administração Mercadológica; Consultora de Projetos da AM3–Consultoria e Assessoria.

E-mail: mari.benedito@outlook.com