COLUNA DE MARIANA BENEDITO – Por que essa pressa?


"Como seria se, ao menos por hoje, você colocasse o pé no freio?"


Por que a gente corre tanto? Por que essa luta insana contra o relógio, para fazer o dia render mais do que as já suficientes 24 horas? Por que essa correria, essa afobação, essa inquietação? Precisa mesmo disso, querido leitor? A gente precisa mesmo fazer cinco coisas ao mesmo tempo? De onde vem essa cobrança maluca por produtividade em alta?

Estamos vivendo numa era instantânea. Tudo é muito rápido, tudo é conectado, tudo ao mesmo tempo e vamos sendo engolidos pela quantidade de informações e estímulos diversos. Mas onde a gente chega com tudo isso? Acumulamos informações que não utilizamos e acreditamos que temos que acumular mais, porque senão ficamos para trás. Atrás de quem? Atrás do quê? A vida se transformou numa maratona, numa disputa, numa corrida para ver quem chega primeiro. E o prêmio não está valendo a pena. Vemos, a olhos nus, o adoecimento físico, mental e emocional da nossa sociedade e, principalmente, de uma geração.

Ansiedade, depressão, síndrome do pânico, síndrome de Burnout – que é o esgotamento mental intenso, em decorrência do alto ponto de estresse – estão com níveis assustadoramente crescentes. Corre-se para chegar em lugar nenhum. Vive-se no objetivo de alcançar status, posições, poder, dinheiro, numa projeção incansável de futuro, esquecendo-se de viver o presente. Parece óbvio, meu amado leitor, mas é a mais pura verdade.

Com toda essa modernidade, era digital, tempo real, competitividade, as nossas principais companhias – depois do celular, obviamente – são a sensação de vazio pela falta de propósito no que fazemos, aquele embrulho no estômago causado pela ansiedade com o plus do estresse, nervosismo, irritabilidade e aquele sentimento de que, a qualquer momento, vamos ser atropelados e arrastados por um tsunami, se pararmos um minuto sequer. E esse tsunami é real mesmo. É aquele momento em que não conseguimos mais suportar e controlar o que a gente sente, quando percebemos que tudo aquilo que passamos anos nos agarrando, não nos segura mais, não tem base sólida. E aí percebemos que não aguentamos carregar o peso do mundo nas costas sozinhos.

E, a partir daí, não existe alternativa, meu caro leitor, a não ser botar o pé no freio e buscar viver cada momento. Aqui e agora. Refletir o porquê dessa correria, se ela é mesmo necessária. Ao invés de sair para o trabalho costurando o trânsito, impaciente, xingando e esbravejando, por que não ir apreciando o caminho, observando os lugares, as pessoas, o dia, sem correr?

Como seria se, ao menos por hoje, você realmente colocasse o pé no freio? Ao invés de se apressar, de botar a afobação embaixo do braço e sair por aí distribuindo irritação, tente descontrair, faça um esforço consciente para ir mais devagar. Mova-se com tranquilidade, com fluidez, aprecie o que te cerca.

Aproveita o final de semana e desconecta, fica offline.

E conecte-se com o que realmente importa. A vida não acontece amanhã, ela acontece agora! Ela está acontecendo neste exato momento.

Deixa de sobreviver. Vive!

 

* – Psicanalista em formação; MBA Executivo em Negócios; Pós-Graduada em Administração Mercadológica; Consultora de Projetos da AM3–Consultoria e Assessoria.

E-mail: mari.benedito@outlook.com