Negras Perfumadas: mulheres combatem racismo na batida da percussão

Exclusivamente feminina, a banda Negras Perfumadas leva reflexão na rima da percussão

O cenário musical de Itabuna ganhou uma novidade que traduz – e muito – a cara da Bahia. É a banda Negras Perfumadas, formada por sete mulheres unindo a batida da percussão, a dança afro e a autoafirmação, numa mensagem de combate ao racismo com valorização da figura feminina. As jovens artistas, vindas dos bairros Pedro Jerônimo, Fonseca, Daniel Gomes e Maria Pinheiro, descobriram/lapidaram os talentos delas nos ensaios do grupo Encantarte. Lá, aprenderam a exaltar a cultura e a beleza negra.

Elas contam com a produção de Egnaldo França, fundador do referido grupo, compositor oficial das músicas (sempre estimulando a reflexão) e das poesias declamadas durante as apresentações. O repertório também inclui canções de Edson Gomes, Olodum, Ilê Ayê, Timbalada, Margareth Menezes, Larissa Luz, Daniela Mercury e Ivete Sangalo. Assim as meninas arrasam, misturando batuque com transformação social.

Sonho realizado

A vocalista Jaqueline Paula da Silva, hoje coordenadora do Encantarte, confessou: desde a adolescência, sonhava com uma banda feminina. “Eu já sabia o que eu queria, já sabia que meu cabelo é crespo, é black e quando veio a oportunidade da banda, foi uma alegria. Tudo ficou mais amplo”, declarou, emocionada.

Nathalia Cruz, responsável pela marcação naquela orquestra pra lá de grapiúna, contou sempre ter visto Jaqueline como uma inspiração. E completou, sobre o grupo: “É emocionante, é alegre, é você poder se sentir bem num local que você sabe que está lhe valorizando”.

No timbau, Tâmara Paula também dita o compasso do chamado empoderamento. “Além de passar uma mensagem, a gente se ajuda; se valoriza mais e aprende com a banda”; Emile França, que comanda o repilique, prossegue: “É bom a gente lutar e quebrar o pensamento da sociedade. Podemos nos assumir e nossa cor é linda”.

O perfume do empoderamento: Nathalia, Êmile, Tâmela, Jaqueline, Tâmara e Thailane (Foto: Diário Bahia)

Reflexão compartilhada

Tâmela França, no som contagiante do surdo, comenta entusiasmada sobre a possibilidade de compartilhar reflexões através da arte. Ainda que nem sempre todas as pessoas compreendam de imediato. “Estamos mostrando para as outras mulheres que podemos ser lindas, sem precisar nos enquadrar aos padrões da mídia”, analisou.

Também no toque arrebatador do surdo, Joilma Bonfim e Thailane Bonfim confirmam o quanto é forte assumir a própria estética e ver outras mulheres seguirem o mesmo caminho. “Levamos para a vida e para a vida de outras pessoas”, sintetizaram. O assunto, aliás, é consenso entre as percussionistas perfumadas – elas já levam exemplo a mais mulheres. “Tenho tias que não aceitam muito não. Mas minha avó, de 56 anos, assumiu o cabelo”, revelou Tâmara.

Shows e procura na região

A banda Negras Perfumadas ensaia três vezes por semana (terça, quinta e sábado), na Escola Margarida Pereira, bairro Pedro Jerônimo. Já tocou em Canavieiras, Ilhéus e Itabuna. Entre as apresentações, recepção ao governador Rui Costa, no lançamento do programa Escolas Culturais, no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães. A partir do primeiro domingo de janeiro, estarão presentes na Usemi (União dos Servidores Municipais de Itabuna). Serão ensaios para o Carnaval.

Para contratar shows dessa turma feminina, as pessoas devem ligar ou acessar o WhatsApp número 98807-0038; email <[email protected]>, Facebook e Instagram “Negras Perfumadas”.