O que são crenças?


Tudo que pensamos sobre a vida são aprendizados de nossa infância, alguns foram adquiridos, inclusive, antes mesmo de aprendermos a falar.


 

Mariana Benedito*

 

As crenças existem e atuam em nossas vidas com o intuito de nos proteger, de nos garantir a vida; não se trata somente de querer livrar-se delas com o equivocado entendimento de que crenças são puramente negativas ou prejudiciais. Os aprendizados, entendimentos, o que nos foi passado e dito serviu para que pudéssemos viver uma vida mais funcional e segura; poupando-nos tempo, já que fazemos e reproduzimos algo de maneira tão repetida que assimilamos aquilo como verdade. Crenças são princípios orientadores: norteiam o nosso comportamento, explicam por que fazemos o que fazemos, da forma que fazemos.

Crenças podem ser positivas ou negativas. Existem crenças que são baseadas e fundamentadas em traumas emocionais, em alguma situação vivida de forma intensa e dolorosa que desencadeia o entendimento de que tal comportamento provocará tal incômodo; essas são as crenças limitadoras. Porém, existem também crenças alicerçadas em percepções positivas, no atingimento de metas e objetivos; e são as crenças possibilitadoras.

Tudo que pensamos sobre a vida são aprendizados de nossa infância, alguns foram adquiridos, inclusive, antes mesmo de aprendermos a falar. O que ouvimos de nossos pais, educadores, cuidadores e, até mesmo, da observação de experiências vividas por outras pessoas. Todos esses conteúdos ficam armazenados em nosso inconsciente e desenvolvem padrões de comportamento, automações, ações e atitudes no “piloto automático”.

É mais que necessário que entendamos que nossa forma de agir, tipos de comportamentos de consumo, padrões de relacionamentos, as fugas que estabelecemos para o não enfrentamento das nossas dores, a maneira que enxergamos as situações, como vivemos e aspiramos o futuro são baseados, unicamente, nas crenças que estabelecemos. Nossos conteúdos inconscientes são diretrizes basilares em nosso comportamento.

Em contrapartida, quando iniciamos e nos disponibilizamos para a auto-observação e reflexão em torno de todos esses padrões – muitas vezes esse chamado vem com aquela ideia de que tem algo errado, de que existe algo bloqueando o fluxo das coisas; quando, realmente, os resultados de nossas ações nos trazem desconforto e angústia – ganhamos a possibilidade de mudança. A partir do momento que identificamos uma crença que nos limita, já estamos no caminho de transformá-la e ressignificá-la em moldes positivos e possibilitadores.

Até porque o problema não está na crença, mas nos comportamentos que dela decorrem; e aquilo que acreditamos, realizamos!

* – Psicanalista em formação; MBA Executivo em Negócios; Pós-Graduada em Administração Mercadológica; Consultora de Projetos da AM3–Consultoria e Assessoria.

E-mail: mari.benedito@outlook.com