Rui, Neto e as pesquisas

Rui Costa
ACM Neto

Os petistas estão preocupados com recentes pesquisas sobre a disputa do cobiçado Palácio de Ondina nas eleições de 2018.

Um empate técnico entre ACM Neto (DEM) e Rui Costa, com o prefeito de Salvador na frente, é conversa obrigatória no staff petista.

Esperava-se, depois do “Rui correria”, que o governador, que busca o segundo mandato (reeleição), estivesse na dianteira e com uma boa vantagem.

O alcaide soteropolitano ultrapassa o chefe do Executivo estadual na maioria dos grandes colégios eleitorais, principalmente na capital.

Em Vitória da Conquista, por exemplo, ninguém aposta em uma reviravolta de Rui, assim como em outros municípios.

Em Itabuna, o comentário entre jornalistas, radialistas e blogueiros, é que ACM Neto lidera as intenções de voto, inclusive dentro do Centro Administrativo Firmino Alves.

Vale lembrar que o prefeito Fernando Gomes, ainda sem partido, é aliado do PT. Para os demistas, FG é o maior cabo eleitoral de Neto em Itabuna.

A verdade é que vai ser uma disputa acirrada. E o PT sabe disso. Não à toa que deixou de tratar o processo sucessório como favas contadas.

O problema que mais atormenta o petismo, que vem tirando o sono de suas lideranças, é o sentimento de mudança que começa a tomar conta de uma parte considerável do eleitorado.

Ou seja, Rui pode fazer um bom governo e ser derrotado pelo fato do PT já está comandando a Bahia por muito tempo. Foi o que ocorreu com Paulo Souto em relação a Jaques Wagner.

Para o azar de ACM Neto, o PT deixou de lado o desaconselhável e irresponsável “já ganhou”. Passou a entender que Neto não é um adversário qualquer.

Outro ponto que pode contribuir para uma “surpresa” na sucessão estadual é o grave problema da segurança pública, principalmente em relação a mortes de policiais.

O Sindpoc (Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia) emitiu uma nota que simboliza toda essa avalanche de insegurança: “O Estado está de joelhos à bandidagem”.

Bolsonaro lembra Collor

Recebi muitas críticas sobre um comentário que fiz nas redes sociais em relação à semelhança entre a campanha de Bolsonaro com a do então presidenciável Fernando Collor.

Muitos também elogiaram. Mas os que não gostaram superaram os que ficaram do meu lado. Fui “derrotado” na proporção de 3 para 1.

Não fiz uma comparação pessoal entre Bolsonaro e Collor e nem citei nenhum item fora do campo político, onde a disputa pelo poder é assentada no vale tudo.

Emitir uma opinião no que diz respeito ao marketing de cada um. Os bolsonaristas, no entanto, acharam que eu estava dizendo que eram bandas da mesma laranja ou farinhas do mesmo saco.

“É incrível como a campanha de Bolsonaro lembra a de Collor. Era modismo votar em Collor. Agora é Bolsonaro. Depois vão chorar o leite derramado”, diz o comentário.

Collor era o “caçador de marajás”. Bolsonaro é o “caçador de bandidos”. O eleitor de Collor dizia que ele ia acabar com os marajás. O de Bolsonaro diz que ele vai acabar com os bandidos.

Mas o que me chamou mais atenção, foi um internauta, até esclarecido, dizer que ia votar em Bolsonaro porque queria andar armado, com o revólver na cintura.

Bolsonaro, que é o segundo colocado nas pesquisas de intenção de votos, atrás do ex-presidente Lula, é um ardoroso defensor da liberação das armas e do “bandido bom é bandido morto”.

O messianismo político-demagógico, tão comum em época de eleição, não é o caminho para que o eleitor tome uma decisão em relação ao seu candidato à presidência da República.

 

O PMDB não é mais “patinho feio”

Pensei que o PMDB seria um constrangimento para o prefeito ACM Neto e que o governador Rui Costa estaria vibrando com essa junção.

Neto teria dificuldades para isolar o PMDB e deixá-lo fora da composição da majoritária na eleição para o comando do Palácio de Ondina.

Depois daquele “bunck” de R$ 51 milhões, imaginei que o partido dos irmãos Vieira Lima seria uma legenda “leprosa”, ojerizada por todos.

Ledo engano. Segundo o Política Livre, o governador Rui Costa teria autorizado uma tentativa de aproximação através dos deputados do PMDB na Assembleia Legislativa.

Como os Vieira Lima estão desgastados e não têm mais poder de decisão no peemedebismo baiano, a cúpula do PT corre atrás dos parlamentares.

Essa articulação do PT, em busca de um namoro com o PMDB, é a prova inconteste de que o processo político pensa só em si, que se dane qualquer outra reação de perplexidade.

Pois é. O PMDB dos Vieira Lima, do presidente Temer, de Jucá, Moreira Franco e do impeachment de Dilma, já não é mais um patinho feio.

O PT cada vez mais pragmático e mais parecido com quem era alvo de suas incisivas e contundentes críticas. Parece sentir saudades da companhia, do pragmatismo e do toma-lá-lá-cá do PMDB.