Sucessão presidencial


Segue abaixo uma resumida análise de nove pré-candidatos à presidência da República na eleição de 2018.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – Independente do julgamento do Tribunal Regional Federal da quarta região (TRF-4), que pode cassar sua elegibilidade, vai ser o personagem principal da sucessão presidencial. Se disputar o Palácio do Planalto, mesmo sob o manto de uma liminar, é um fortíssimo candidato, principalmente no eleitorado do Nordeste, onde é considerado um “Deus”. É o primeiro colocado em todas as pesquisas de intenção de votos.

Jair Bolsonaro (PSC) – Ocupa a segunda posição nas enquetes eleitorais, com uma frente confortável em relação ao terceiro. Duas preocupações tomam conta dos bolsonaristas: o início dos debates, já que é, de longe, o presidenciável menos preparado, e suas infelizes declarações, como, por exemplo, a de que “mulher deve ganhar salário menor porque engravida”. Anda atrás de outra legenda.

Marina Silva (Rede) – Já foi candidata ao cargo maior do Poder Executivo. Teve uma boa votação. Vem tendo dificuldades para estruturar sua campanha. Passa a impressão que está desmotivada, sem força para encarar os obstáculos inerentes ao movediço e traiçoeiro mundo da política. Diversos analistas políticos apostam que sua candidatura vai perder consistência.

Ciro Gomes (PDT) – O otimismo dos pedetistas cresce com a proximidade dos debates entre os presidenciáveis. É, sem nenhuma dúvida, o mais preparado de todos os postulantes. Conversa com o PSB e o PCdoB. O sonho dos ciristas é o PT, em decorrência de uma eventual inelegibilidade de Lula, não lançar outro nome – Fernando Haddad ou Jaques Wagner – e apoiar Ciro, que acha mais fácil “boi voar” do que o PT apoiá-lo.

Geraldo Alckmin (PSDB) – A melhor opção do tucanato. Vai ter que provar que tem condições de ser o candidato do campo da direita, reunindo em torno da sua candidatura os caciques do PR, PP, DEM, PTB, PSD e do PMDB. O grande desafio é convencer essas legendas a não ter candidato próprio. A união desses partidos daria um invejável tempo no horário eleitoral. O maior desejo de Alckmin é o prefeito de Salvador, o demista ACM Neto, como seu companheiro de chapa.

Henrique Meirelles (PSD) – Ministro da Fazenda do governo Michel Temer. Sua candidatura está condicionada a uma melhora significativa na economia e, como consequência, uma queda no preocupante índice de desemprego. Assim como Alckmin, terá que mostrar que pode unir os partidos da base aliada de Temer em torno do seu nome. O problema é que se a economia respaldar sua pretensão, o seu “patrão” vai querer disputar o pleito.

Rodrigo Maia (DEM) – Presidente da Câmara dos Deputados. É o nome da legenda para suceder Temer. O demismo cansou de ser coadjuvante do PSDB, acha que pode andar com os próprios pés. Outros presidenciáveis do partido são ACM Neto e o deputado federal Ronaldo Caiado. Maia, no entanto, reconhece que não tem viabilidade eleitoral para disputar uma presidência da República. Não tem votos.

Álvaro Dias (Podemos) – O Podemos é o ex-PTN. O ex-tucano sempre usou a tribuna do Senado para fazer contundentes críticas ao PT, principalmente nas duas gestões da ex-presidente Dilma Rousseff. O grande entrave da sua candidatura é o fato de ser desconhecido pela grande maioria do eleitorado. Com o Podemos, e sem nenhuma perspectiva de coligações com outras legendas, só terá 12 segundos no horário eleitoral.

Manuela d’Ávila (PCdoB) – Jornalista. Exerce atualmente o mandato de deputada estadual no Rio Grande do Sul. Como o PCdoB sempre sonhou em indicar o vice do PT, fica a opinião de que Manuela não resitiria a um convite para compor a chapa com Lula. A defesa das mulheres é o ponto principal da sua campanha: “É preciso chamar as mulheres do Brasil para discutir a crise e as saídas para o futuro”.