A ESPINHOSA MISSÃO DE WAGNER


No entender de Wense, o ex-ministro não conseguirá unir a base aliada do PT


O senador Jaques Wagner (PT), tido como articulador político nato, aceitou o desafio de unir a base aliada do governador Rui Costa nas sucessões municipais, principalmente nos maiores colégios eleitorais. Sem dúvida, uma espinhosa e difícil missão.

Há um consenso entre as lideranças das legendas aliadas de que o chefe do Palácio de Ondina não está tendo tempo para conversar com o comando estadual dos partidos, já que a prioridade é a luta contra o cruel e devastador coronavírus.

Jaques Wagner
Foto Manu Dias/AGECOM

Wagner, que governou a Bahia por duas vezes, é jeitoso, tem paciência, sabe esperar o momento certo para a conversa definitiva. Nessa função de articulador faz cobra cuspir e consegue até dar beliscão em azulejo.

O problema é que sua condição de pré-candidato ao governo do Estado, no pleito de 2022, que até as freiras do convento das Carmelitas sabem que é irreversível, favas contadas, vai terminar prejudicando a tão sonhada união da base aliada.

O PSD, por exemplo, está de olho nas movimentações de Wagner. O partido tem seu postulante, o também senador Otto Alencar, presidente estadual da sigla, ao cobiçado cargo de governador.

Em Itabuna, por exemplo, dificilmente haverá um acordo entre o PT de Geraldo Simões e PSD de Augusto Castro, ambos prefeituráveis e dizendo que vão até o fim do processo sucessório. Tentar fazer Geraldo vice de Augusto e vice-versa é algo que beira ao impossível.

Como juntar PT e PSD se os dois partidos caminham para um rompimento em decorrência da sucessão de Rui Costa? Vale lembrar que a irreversibilidade da candidatura de Wagner tem a garantia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que andou dizendo que o PT é partido de receber apoio e não de apoiar.

O sonho da cúpula do petismo, com o aval do neoaliado prefeito Fernando Gomes, é unir todos contra o médico Antônio Mangabeira, pré-candidato do PDT ao centro administrativo Firmino Alves, sede da prefeitura de Itabuna. O pedetista é visto como um potencial aliado de ACM Neto na eleição de 2022. O alcaide soteropolitano é presidente nacional do DEM.

Mangabeira, que vem fazendo sua campanha sem oba-oba, sem apelar para o viés demagógico, sem o toma lá, dá cá, é visto como o mais antipetista dos prefeituráveis.

Outro que pode receber o apoio do petismo é o capitão Azevedo (PL). Diria que o militar, que já foi prefeito, é o plano B, que seria imediatamente colocado em prática se a candidatura de Geraldo Simões não decolar e sua rejeição continuar alta.

Wagner tem pela frente mais uma oportunidade de mostrar que sua habilidade de bom articulador não é nenhuma invencionice.






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