ANIVERSÁRIO E ALGUMAS HISTÓRIAS (VII)


João Otávio Macedo recorda a relação com o cinema na trajetória do município


Vamos nos aproximando do aniversário de nossa cidade e, também, dando continuidade aos fatos, personagens e datas que marcam a história deste pedaço do Brasil. Hoje falaremos sobre a magia do cinema e como começou a sétima arte aqui entre nós, até chegarmos aos dias presentes.

A primeira demonstração do que viria a ser, no futuro, o que chamamos de cinema ocorreu no dia 28 de dezembro de 1895, final do século XIX, portanto, no Salão Grand Café, na iluminada Paris, quando os Irmãos Lumière apresentaram, a uma plateia selecionada de 30 pessoas, o cinematógrafo, aparelho criado por eles e que, durante 10-15 minutos, mostrava àquelas pessoas premiadas, ali reunidas, as figuras em movimento. Embora sem sonorização. Uma novidade como aquela não poderia ficar restrita apenas à França e, em pouco tempo, já se apresentava na Itália e em outros países. Após a primeira guerra mundial, atravessou o Atlântico chegando a Hollywood, onde teve um crescimento extraordinário. Hollywood passou a ser conhecida como a Meca do Cinema e foram criadas importantes companhias como a Fox, Universal, Paramount, Metro e outras. Em 1928, primeira tentativa de som sincronizado como a imagem apresentado no filme The lights of New York, da Warner Brothers.

E por estas bandas, quando foi que ocorreram as primeiras tentativas de mostrar o cinema à população da jovem cidade? Vemos, nos relatos de nossos historiadores, que Omar Cana Brasil, em um armazém situado na rua Osvaldo Cruz, no ano de 1915, apresentou o cinematógrafo projetando um filme mudo, mas que causou muito sucesso; contratava-se alguns músicos para animar a projeção e a novidade logo espalhou pela região.

Em 1918, é inaugurado o primeiro cinema na cidade, o Ideal Cinema, na antiga rua da Lama, que depois se chamou J. Seabra e que, a partir de 1960, passou a ser Avenida do Cinquentenário; situava-se mais ou menos no local que hoje é ocupado por uma agência do Bradesco. Em 1933, surge o segundo cinema, o Elite Cinema, também na mesma rua da Lama, nas imediações da atual loja Gilmara. Os cinemas apresentavam as sessões noturnas, conhecidas como “soirées” e as vespertinas, chamadas de “matinées”. Foi a época do surgimento de famosos astros e atrizes, como Betty Davis, Humphrey Bogart, Mae West, o Gordo e o Magro, Tarzan e os famosos seriados de Flash Gordon, Durango Kid. Vestia-se a melhor roupa para frequentar as “soirées” e, sem dúvida alguma, para uma cidade ainda pequena e sem muita diversão, o cinema foi um marco importante na nossa história. Em 1938, é inaugurado o terceiro cinema, Cine Ita, na então rua do Quartel Velho, hoje Ruy Barbosa, nas proximidades da Padaria Modelo.

Também nesse mesmo ano de 1938, na esquina das ruas Benigno Azevedo e Paulino Vieira, surge o Cine Odeon, no local onde, anos mais tarde, seria instalado o Banco da Bahia.

O ano de 1940 marca o aparecimento do mais importante e mais duradouro cinema que já tivemos, o Cine Teatro Itabuna, na antiga rua Benjamin Constant, hoje Ruffo Galvão, e que teve vida longa, funcionando por mais de 50 anos. Salão amplo e confortável, palco elevado e, também, de boas dimensões; além das projeções cinematográficas, serviu, por muitos anos, para apresentação de artistas de rádio e do teatro, principalmente do eixo Rio-S. Paulo, que se apresentavam aqui, atraindo um público numeroso e cativo.

No ano de 1950, foi inaugurado o Cine Plaza, na rua Ruy Barbosa, cujas matinées rivalizavam com as do Cine Itabuna, atraindo, principalmente, estudantes do curso secundário. Esse cinema depois passou a se chamar Glória e, anos depois, voltou a ter o antigo nome de Plaza.

O ano de 1961 marca a inauguração de dois cinemas, o Catalunha e o Marabá e, pouco tempo depois, a inauguração do primeiro cinema fora do centro da cidade, o cine Oásis, no bairro de Fátima.

Os cinemas foram sofrendo as mudanças ocorridas nas comunidades, principalmente com o advento da televisão e muitos foram fechados, não somente em nossa terra como na maioria das cidades brasileiras. O advento dos shopping centers deu uma lufada de esperança à sétima arte e as salas de projeção passaram a ocupar lugar nos shopping.

Há muitos palpites sobre o futuro do cinema, com alguns achando que está com os dias contados, outros opinando que uma invenção tão maravilhosa como o cinema não vai se acabar nunca e, no meio dessa voragem, a sétima arte vai resistindo.

Quando a nossa cidade tinha uma população bem menor que a atual, chegamos a ter, como vimos, quatro cinemas no centro e um no bairro de Fátima; hoje temos quatro salas no Shopping Jequitibá, com a torcida, de todos os amantes do cinema, para que tenham vida longa. O cinema não é somente local de entretenimento, mas representa cultura, conhecimento e local de encontro de amigos, namorados, todos em busca de alguns momentos de lazer dentro do conturbado mundo em que vivemos. Viva o cinema!