O RETORNO DE LULA


Como fica o PT sem Lula na disputa presidencial ?


O senador Jaques Wagner, que já governou a Bahia por duas vezes, integra a ala do Partido dos Trabalhadores que acredita no fim da inelegibilidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A declaração de Wagner de que o líder nacional do PT pode disputar uma vaga para o Senado da República pela Boa Terra, é a prova inconteste de que a legenda está prestes a alcançar seu principal objetivo: Lula candidato.

O lulopetismo, quando o assunto é enfraquecer a Lei da Ficha Limpa, anda de mãos dadas com o Centrão, hoje aliado do presidente Bolsonaro. Por mais estranho que possa parecer, o bolsonarismo passa a ser o maior cabo eleitoral do “Lula Livre”. Coisas da política, diria o saudoso jornalista Carlos Castello Branco na sua coluna no então Jornal do Brasil.

A informação de Wagner provocou uma variedade de opiniões, tanto na base aliada de sustentação política ao governo Rui Costa como na oposição, mais especificamente a que é liderada por ACM Neto (DEM), cuja candidatura ao Palácio de Ondina no pleito de 2022 é dada como favas contadas.

A possibilidade levantada por Wagner, com Lula disputando o Senado pelo Estado da Bahia, obviamente na chapa majoritária encabeçada pelo ex-governador, que já deixou bem claro sua vontade de disputar a sucessão de Rui Costa, se realmente for concretizada, deve provocar uma mudança no cenário político e, como consequência, uma nova avaliação sobre o favoritismo de ACM Neto.

Qual o partido da base aliada que indicaria o vice de Wagner, o PSD do senador Otto Alencar ou o PP do vice-governador João Leão? A sigla preterida iria para a oposição, buscando uma vaga na chapa de ACM Neto?

No meio de tantas e diferentes opiniões, tem também a que diz que a manobra de Wagner é um claro sinal de que Lula não tem mais força política para enfrentar o presidente Bolsonaro, que jogou a toalha em decorrência do gigantesco e cada vez mais enraizado antipetismo.

O ex-presidente Lula ainda não se pronunciou sobre a declaração de Wagner, que quer fazer do petista-mor seu maior puxador de votos.

Uma coisa é certa e tem a concordância de todos, inclusive dos petistas : uma derrota de Wagner, com Lula na chapa majoritária, mesmo que o ex-presidente seja eleito para o Senado, significa o começo do fim do lulopetismo.

Como fica o PT sem Lula na disputa presidencial ? Veja abaixo o que disse Fernando Haddad sobre o “mito” da legenda.

“O erro de alguns petistas, por sua vez, é imaginar que o PT possa se fortalecer sem Lula. Não se reproduz facilmente uma liderança da sua qualidade. Lula e PT são não apenas indissociáveis como são eventos únicos e mutuamente dependentes”.

Para o petista Haddad, ex-prefeito de São Paulo e ex-candidato ao Palácio do Planalto, o PT só tem Lula e ponto final. É legenda de uma só liderança. Todos os outros companheiros, incluindo aí os governadores, são peças meramente decorativas.

As eleições de 2020, com os resultados das urnas, passam a ser a tábua de salvação do PT. Do contrário, o enterro.

* Marco Wense, 26 de dezembro de 2020.